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Relato de Parto Natural/Leboyer

13 set

Por Denise Nappi

Fotos do acervo pessoal de Henry Bugalho e Denise Nappi [e de Phillipe tb]

Fotos do acervo pessoal de Henry Bugalho e Denise Nappi [e de Phillipe tb]

Quando comecei a pesquisar sobre as melhores opções de parto, tanto para mim quanto para o bebê, cheguei a conclusão de que eu queria parto natural, igual nossas bisas, índias e vaquinhas do campo, sem nenhum tipo de interferência médica, porém assistida por um parteira em ambiente hospitalar. Pronto, o plano era esse, então comecei a ouvir: Você está louca! Assim, sem anestesia, sem nada?!? Você não vai aguentar, vai implorar por medicação… blá blá blá.

Pois bem, bebês nascem na semana 40 (praticamente 10 meses), na semana 33 eu quase entrei em trabalho em parto prematuro e por isso tive que segurar o máximo ficando de repouso, estaria liberada na semana 37, assim foi feito…

Segunda feira, 26/08/2013 acordo com uma ligeira cólica, nada que me incomodasse…

Recebi minha doula em casa (uma pessoa que contratei para preparar meu psicológico e aguentar as longas horas de um trabalho de parto). Encontrei umas amigas e tudo parecia normal.

19h:30min da noite vou ao mercado, chegando lá sinto a bolsa estourar, com muita calma entro na fila, comento com a caixa e vou a casa fazer o jantar, eu já sabia que depois de estourar a bolsa, podia demorar ainda muitas horas, muitas dores e blá blá blá, eu saberia a hora certa de ir ao hospital, então fui fazer meu strogonoff, que estava morrendo de vontade.

Entre uma mexida na panela e outra, eu comecei a ter cólicas mais fortes, eu sabia que eram as contrações, mas como pintam como um horror, eu ignorei e pensei: Vou esperar o máximo que puder.

10h da noite fica pronto o jantar e eu não conseguia mais sentar para jantar, fui ao banheiro e… sangue!

Daí foi o bundalelê. PQP, corre que tem sangue! Liguei para a doula Continue lendo

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Do que rolou em janeiro: entre doulas e cabelinhos, parto… e o pai, onde fica?

8 fev

Para concluir temporariamente o papo sobre PARTO, devo dizer: que polêmico foi esse primeiro mês do ano, hein? Muito disso, graças a um ‘certo’ hospital de São Paulo, que, além de proibir a presença de doulas, teve a infeliz ideia de publicar um post que incentivava o alisamento do cabelo de crianças que tem ‘o cabelo muito crespo’… Affx2! A repercussão foi tamanha que o tal post – sobre tratamento químico nas cabecinhas crespas – sumiu! Já a polêmica das doulas… deu foi mto pano pra manga: centenas de mulheres – mães, doulas, barrigudas e ativistas pela humanização do parto lotaram a Av Paulista no último domingo – e o AG tava lá, bem representado pela Ma Morini e sua família:

Marcha pelo direito a uma doula,  ocorrida em 03 de fevereiro de 2013, na Av Paulista, SP

Fotos do acervo pessoal da Ma

No post anterior a esse, minha ‘co-gestora’ de AG,  explica que: “Doulas são mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.”

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[Pequena pausa para tratar do cabelinho]

Fotos dos bebês by internet

Fotos das ‘bebelezas’ e seus variados ‘bebelinhos’ by internet

Vale dizer aqui que

o AG repudia toda e qualquer prática de racismo e opressão!

Mostremos às crianças que a beleza não tem um padrão – deixa o cabelo ser crespo, liso, pouco, muito e de qualquer cor. Feio é o preconceito: tentar encaixar os seres em fôrmas desde pequenos, estimulando uma padroninazão estética… Isso, além de feio, é cruel demais – só faz destruir a autoestima ainda em formação!

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Mas ‘a história do cabelo’ não foi nada se comparada a da proibição das doulas… Pra completar, alguns hospitais de SP que antes permitiam à ‘parturiente’ [palavra feia, mas tudo menos ‘mãezinha’!] ter na sala de parto o marido E a doula, disseram ‘Ê-e: agora é o marido OU a doula, mãezinha!’ – muito embora na maioria dos hospitais públicos essa já seja a realidade – isso, com sorte, quando respeitam o que a lei determina [alguns só permitem a presença de um acompanhante, quaaaando e SE a mãe requisita… oferecer, lembrar, informar dessa possibilidade, é uma ‘gentileza’ rara, viu?]

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Da importância da doula na hora do parto, todo mundo [que lê o AG], já sabe, agora, e a do PAI?

Perguntamos na nossa página do Facebook “Qual o lugar mais adequado para os pais” na hora do nascimento do baby:

na SALA DE PARTO ou SALA DE ESPERA?

Entre os nossos leitores que opinaram, a maioria esmagadora votou pela presença do pai na sala de parto.

Pais do lado de dentro da sala

Fotos enviadas pelos nosos leitores-amigos via Facebook do AG

Nas fotos – do lado de dentro da sala:
Mamãe Roberta Soares mandou a primeira foto de família do Matheus (2012) – Cristian Duarte com sua amada recebendo a amadinha Sara (2011) – O pequeno Gu bem aconchegado entre os pais Aline e Vantuir (2012) – Jose Bonilha no primeiro contato “externo” com sua primogênita (2009)

  • Mais dos nossos leitores

Karen Bandeira, que é mãe de gêmeos, contou que o marido assistiu ao parto e que foi lindo: “passaram os bebês para ele me mostrar – é uma emoção que mãe nenhuma esquece, a família reunida pela primeira vez…”

Mas, como nosso relatos de parto bem exemplificam, não adianta só romantizar o momento – porque, além de lindo, o troço é punk… Cabe ao pai que pretende assistir – e até mesmo ter que ‘fazer as vezes de doula’ estar preparado!

Nossa colaboradora, a Fabi Lopes, conta que o marido dela cedeu ‘gentilmente’ a vez a qualquer uma das mulheres da família que disputavam a vaga de doula: “O Jão golfa, ele vomita junto, imagina ver o parto… Não, não. Eu também preferi assim!”

Claro que cada caso é um caso… e pra cada família, uma sentença – enquanto algumas mães se sentem mais seguras com a presença do marido, outras, ficam desconfortáveis por serem vistas naquela situação [de bicho, como manda a natureza] – e enquanto alguns pais fazem muita questão de estar do lado de dentro da sala, outros se sentem melhor na sala de espera – que é outro tipo de emoção. O grande objetivo da coisa é que todos estejam confortáveis e seguros para vivenciar esse momento ‘fuckspecial’ que é o nascimento de um filho. Como bem apontou um dos pais votantes da nossa enquete:

“Embora existam muitas orientações textuais sobre o lugar do pai nesse momento, a situação e a maturidade é que vão ditar essa posição”, disse Alisson Affonso, pai da pequena Beatriz – Disse bem… E tem o dito ;]

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Na foto: Renato (e Pietro, os meninos da Ma Morini)

Na foto: Renato (e Pietro, os meninos da Ma Morini)

E como nós apoiamos a presença do pai junto ao filhote, independente do lado da sala que ele tenha escolhido para esperar, apoiamos também o Projeto de Lei que tenta aprovar a Licença Paternidade de 30 dias! Já pensou, que maravilha?

Se nós, mães, achamos pouco tempo os 4 meses [mínimos] da Licença Maternidade… O que dizer dos ‘3 dias’ que, atualmente, os pais tem direito??? Bora votar na Petição Pública em apoio ao PL da Licença Paternidade – clica aqui e, simbora!

Mais amor, por favor…

1 fev

Ainda mais quando o assunto é parto. Esse é um  momento único e toda mulher deveria estar mais que cercada de amor e humanização nesse momento tão ‘sentido’, tão pleno, tão ímpar, tão ‘tudo’. Mas nem sempre é assim.

Muito se tem falado sobre parto humanizado e o assunto é extenso a beça.

Vou falar sobre as doulas. Afinal, quem decide por ter o acompanhamento de uma doula, já é quase 100% caminho andado rumo ao ‘mais humano’, rumo ao amor.

Mas o que é uma doula?

Imagem do Google

Imagem do Google

“A palavra ‘doula’ vem do grego ‘mulher que serve’. Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.

Antigamente a parturiente era acompanhada durante todo o parto por mulheres mais experientes, suas mães, as irmãs mais velhas, vizinhas, geralmente mulheres que já tinham filhos e já haviam passado por aquilo. Depois do parto, durante as primeiras semanas de vida do bebê, estavam sempre na casa da mulher parida, cuidando dos afazeres domésticos, cozinhando, ajudando a cuidar das outras crianças.

Conforme o parto foi passando para a esfera médica e nossas famílias foram ficando cada vez menores, fomos perdendo o contato com as mulheres mais experientes. Dentro de hospitais e maternidades, a assistência passou para as mãos de uma equipe especializada: o médico obstetra, a enfermeira obstétrica, a auxiliar de enfermagem, o pediatra. Cada um com sua função bastante definida no cenário do parto.

O médico está ocupado com os aspectos técnicos do parto. As enfermeiras obstetras passam de leito em leito, se ocupando hora de uma, hora de outra mulher. As auxiliares de enfermeira cuidam para que nada falte ao médico e à enfermeira obstetra. O pediatra cuida do bebê. Apesar de toda a especialização, ficou uma lacuna: quem cuida especificamente do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela doula ou acompanhante do parto.

O ambiente impessoal dos hospitais, a presença de grande número de pessoas desconhecidas em um momento tão íntimo da mulher, tende a fazer aumentar o medo, a dor e a ansiedade. Essas horas são de imensa importância emocional e afetiva, e a doula se encarregará de suprir essa demanda por emoção e afeto, que não cabe a nenhum outro profissional dentro do ambiente hospitalar.” – texto bárbaro, da parteira e obstetriz, Ana Cris Duarte (retirado DAQUI).

Imagem retirada do blog Diretório Materna

Sem contar que as doulas ajudam a diminuir as taxas de cesárea, aumentando as chances de um parto normal. Ela tem um lugar único na equipe de atendimento ao parto, dando suporte psicológico e conforto físico para a mulher. E como muitos alegam falsamente, as doulas não causam infecção, pois não executam procedimentos técnicos.

E nessa quinta  (31/01/2013), as doulas foram reconhecidas pelo Ministério do Trabalho.

3221-35 – esse é o número 🙂

Ministério do Trabalho

Ministério do Trabalho

Aqui em São Paulo, duas grandes maternidades limitaram a entrada de doulas em suas instalações. Elas estão ‘obrigando’ as gestantes a escolher entre o pai da criança ou a doula, para acompanhar o parto. Sacanagem, né? A mãe precisa da doula e precisa do apoio do marido e o marido também acaba precisando do apoio da doula. Muitos homens, não sabem como agir diante de um trabalho de parto. É comum que tenham medo de expor suas emoções, com receio de atrapalhar a mãe, que está em trabalho de parto. A doula ‘mostra’ o caminho para ambos e os tranquiliza.

E por conta dessa polêmica das maternidades, vai rolar uma Marcha bacanuda (o Movimento das Mulheres e Homens pelo Direito a uma DOULA – em qualquer hospital brasileiro durante o pré parto, parto e pós parto), nesse domingo (03). A marcha começará no Edifício da Gazeta, passará em frente à Maternidade Pró Matre, seguirá pela Av. Paulista e acabará em frente à Maternidade Santa Joana.

Queremos DOULA

Queremos DOULA

Eu só tive profundo conhecimento do que era uma doula, quando meu filho já tinha nascido. Entrei de cabeça no mundo ‘maternista’ depois dele ter chegado. Nunca é tarde, não é mesmo? E eu luto (e estarei presente nessa marcha, com marido e filho) pelo direito da mulher, de escolher como e com quem quer parir.

Vem também!!

Encontre uma Doula:

Doulas em São Paulo, Doulas em Porto Alegre, Doulas em Belo Horizonte, Doulas no Rio de Janeiro

Fontes de pesquisa:

Doulas, Movimento no Face.

Meu relato de parto – por Ju Blasina

10 jan

NOTA DA MÃE-AUTORA: dois anos depois… E sinto a necessidade de atualizar meu relato de parto – coisa que farei em breve! É como se só agora eu tivesse me distanciado o suficiente para enxergar o quadro inteiro! Continuo achando ele feio… Continuo com minhas cicatrizes, mas agora aprendendo a lidar com elas – e tirar disso um ensinamento que precisa ser registrado. Então, querem ler essa versão limitada do meu relato, please, leve em consideração essa nota, ok? E aguarde a versão mais realista – ao estilo Laura Gutman de quem já tomou um chá com a própria sombra e sobreviveu – melhorada! Bjus


 

Nove meses passados, é chegada a hora… a hora de voltar lá, onde se guarda as mais importantes lembranças, e reviver essa que pode ser definida como ‘a melhor dentre as piores experiências que se pode ter na vida’ – por ser difícil, por ser dolorosa, por ser transformadora de uma forma que é inconcebível até que se esteja imersa nela. Pois bem, vamos lá:

31 março 2012
Passei a gravidez inteira convicta de que teria um parto normal. Li tudo o que podia sobre o assunto, convenci meu médico – que preferia a segurança da hora marcada de uma cesárea – e tranquilizei minha mãe – que tem traumas do parto que ela ‘sofreu’ para o meu nascimento. Pois eu queria tanto, tanto um Parto Normal que nem cogitei a cesárea – eis meu erro…

A gente tem que estar preparado pra tudo nessa vida!

Minha bolsa estourou cedo, cedo demais em todos os sentidos: eu estava com 36 semanas e 5 dias de gravidez e foi 5 min faltando para as 4 da manhã. Era um sábado e eu tinha trabalhado até as 21h daquela sexta – só pretendia sair de licença daí a duas semanas, afinal, eu tinha tempo… Nem minha bolsa [a das coisas secas] tava terminada, só a do bebê. Como acontece com a maioria das mães de primeira viagem, levantei da cama num pulo [tão ágil quanto meu barrigão gigantesco permitia] achando que tinha vazado xixi [o que não andava acontecendo, ok!? eu juro!] e escorreguei no líquido melecoso amniótico – quase caí.  Tremia que nem vara verde. Liguei para o meu médico e ele marcou comigo no hospital 6h depois, a menos que antes eu tivesse dor. Não tive!

Passei a madrugada antes do Dimi nascer mega zen, terminei a minha bolsa no improviso, tomei uns 10 banhos, sequei o cabelo no secador, me depilei, me maquiei [sim, como não!?]. Esperei amanhecer para avisar minha mãe, afinal, eu tava bem, não queria apavorar ninguém. Ela me buscou perto das 9h – e a água vazaaando- e ainda passamos no banco e na loja em que eu tinha encomendado a banheira – que não chegou a tempo! [impagável a cara da atendente da loja, quando eu disse a ela que, então, teria que comprar em outro lugar, já que eu estava a caminho do hospital para… parir! hehehe]. Naquela última noite, ao contrário do que é indicado, eu não dormi – a ansiedade era grande demais pra isso – curti muito os últimos momentos com o bebê do lado de dentro [só meu!] e dancei com a barriga… Dancei ouvindo The Black Keys. Dancei cantando Marisa Monte [“vem, ‘pr’esse mundo’, deus quer nascer – há algo invisível e encantado entre eu e você…”]. Dancei muito! Aí, qdo cheguei ‘lá’ [no hospital, na hora da verdade], toda faceirinha, e meu doc disse que teria que ser cesárea mesmo, e ‘pra já’, chorei mto… e dancei de vez!

Dois dias antes do 'showtime'

Dois dias antes do ‘showtime’

Passadas 6h perdendo líquido e, nenhum sinal de trabalho de parto: nada de dilatação, nenhuma contração, nada além de água, muita água melequenta e morninha – o bebê poderia entrar em sofrimento. Eu entendi – não tinha escolha. E então, eu chorei, chorei muito… Chorei tudo que eu não tinha chorado no primeiro ultrassom ou quando eu soube o sexo do bebê. Chorei enquanto me despia para encarar aquela ‘camisola’ horrorosa – e tudo o que vem com ela. Menos de 20 min desde que pus minha barriga no hospital, e lá estava eu, sozinha naquela porcaria de sala fria – ser moderninha-e-independente’ nessas horas é uma merda – fiquei nervosa, tive medo e me senti muito sozinha. Senti falta de uma mão que segurasse a minha, de um carinho qualquer, senti falta da minha mãe – mas ela estava cuidando de toda a burocracia para que eu pudesse logo ‘entrar na faca’ e, mesmo que não tivesse, ela já estava suficientemente nervosa do lado de fora – dentro da sala, nem eu queria estar!

Só uma enfermeira, entre as tantas ‘cabeças de paninho’ que eu estava pagando para que cuidassem bem de mim e do bebê, só uma foi um amor e conversou comigo, enquanto eu surtava de completo pavor, imaginando que a anestesia fosse acabar antes do esperado – jamais vou esquecer dela me dizendo que tinha passado por isso três vezes, deitada naquela mesa, e que, honestamente, não seria bom, seria estranho e assustador, que eu sentiria muitas coisas, mas que dor não seria uma delas! Ela me prometeu isso – e ‘cumpriu’ – ela fez toda a diferença! Para os outros, eu era uma coisa – mais uma dentre as tantas ‘coisas’ que eles abrem e tiram coisinhas de dentro, a todo momento. Lembro bem o assunto que rolava entre eles: facebook. Se pelo menos me adicionassem na conversa, eu talvez tivesse curtido.

Odiei fazer cesárea, odiei com todas as minhas forças aquela mesa em que parecem que estão sovando pão ou batendo roupa dentro da gente! O depois então… nem se fala [dor, dor, muita dor – de cabeça, na barriga… Inchaço de não calçar sapatos – pior que em toda a gravidez – e hematomas pra todo o lado, graças a mil injeções e soro e a violência que é todo esse processo], mas… o que se há de fazer? No meu caso, não foi uma escolha, e como se diz por aí, “tem males que vem pra bem”: Dimi enrolado na anaconda que era o meu cordão umbilical, se o parto fosse Normal, como eu tanto queria, sabe-se lá como seria… Assim que meu filhotinho deu seu primeiro choro, o médico disse “foi deus quem estourou essa tua bolsa, guria!” e a equipe toda soltou interjeições: eram cinco circulares de cordão, CINCO!!! O “bacana” é que eu fiz 11 ecografias durante o pré-natal, mas nenhuma 3D [uma vez que tudo parecia perfeitamente bem], e não se fazia a menor ideia disso!

Dimitri ao nascer, com seus míseros 47,5cm e 2670g

Dimitri ao nascer, com seus míseros 47,5cm e 2670g

Pior que tudo isso foi, depois de todo aquele tempo num só corpo, ter o bebê arrancado [o sentimento é esse] e levado pra longe: primeiro, para uma bancada fria na qual fuçam nele e nada dizem – e ele berrava e eu fazia perguntas ao vento [e chorava, chorava muito], ah, não fosse a anestesia tão  eficiente… Depois, a sala de recuperação, onde pessoas gemem, outras roncam e o reencontro com o bebê depende de se ‘poder com as próprias pernas’ [e as minhas custaram tanto a recuperar os sentidos que, horas depois, fui para o quarto ainda ‘sem elas’ e assim fiquei até anoitecer – só que junto ao bebê, o que melhora tudo ;]

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Resumindo: confirmei na pele o que eu sempre disse: se o corpo fosse feito para ser aberto, viria com zíper! Fora isso, foi um susto, tudo saiu fora do planejado, mas foi também a coisa mais maravilhosa do mundo ver aquele rostinho, tão pequeno e ao mesmo tempo tão forte, pela primeira vez!

Uma amiga minha que teve um bebezão de P.Normal me diz que se sentiu muito bicho durante o parto dela, pois eu me senti muito coisa no meu – é de se entender as mulheres que se tornam mais duras depois da maternidade – é o trauma do parto. É de se entender mais ainda a Depressão Pós-Parto – é um alívio que não atinja 100% dos casos.

Dias depois, eu olhava para o meu passarinho [porque o Dimi  era tão magrelo que parecia que ia quebrar] e dizia pra ele ‘tu tens que ficar muito bem e muito lindo pra que tudo isso compense, hein” – e ele ficou ;]

Num 31 de março de 2012: Dimi

Num 31 de março de 2012: Dimi

Que difícil falar dessas coisas… Nossa!

Obrigada por ter lido – é bom ter companhia dessa vez ;]

Bjus mil

JuB.

 

P.S.: uma lembrança [ainda mais] bizarra: Continue lendo

Meu relato de parto hospitalar (nascimento do Pietro) – por Ma Morini

7 jan

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Estava prestes a completar 39 semanas de gestação e estava tudo nos conformes. Não havia sentido nenhuma dor até aquele momento e em minha cabeça prevalecia a ideia de que por ser o primeiro parto, provavelmente passaria das 40 semanas e tudo seria extremamente demorado e muito sofrido.

Mas foi as 21h:15min desse mesmo dia, em que achava que estava tudo nos conformes, que senti a primeira coliquinha. E a partir daí foi dada a largada.

A dor aparecia de vez em quando e começou a aumentar. Deu meia noite, uma da manhã, tentei dormir mas não conseguia. Juntou as dores que não paravam de chegar, junto da ansiedade. Decidi pegar papel e caneta para anotar o tempo entre as contrações (hoje sei que anotar contrações, é pura besteira, só confunde mais ainda nossa cabeça, pelo menos a minha), já que não dormia mesmo. Perto de duas da manhã fui fazer xixi e tinha um pouco de sangue. Entrei em choque, a última coisa que esperava ver era sangue. Chamei minha mãe e mostrei. Ela disse ser normal e que poderia sair mais. E foi o que aconteceu. As duas e quarenta da madrugada saiu o tampão e mais sangue e mais dor. Muita dor.

E nesse dia matei minha curiosidade de saber como era essa dor, essa tal dor de parto. É total entrega. Você fica a mercê da dor. Ela te domina. É mesmo um encontro com nosso lado mais obscuro. E o melhor de tudo, é a prova do quão forte é um ser humano, do quanto ele pode suportar.

E segui com as dores, mudava de posição, levantava, plantava bananeira e nada de melhorar. Vi que não adiantava fazer nada, quando a dor vinha era melhor fechar os olhos, agüentar firme e esperar que ela passasse.

Perto de três e pouco da madrugada veio uma dor estonteante, seguida de câimbra na barriga, sensação de Pietro estar empurrando e muita vontade de vomitar. Saí correndo pro banheiro e vomitei tudo o que não havia vomitado na gestação toda. Foi uma dor terrível. E foi nessa hora que decidi que não aguentaria mais (cheguei até a implorar por uma cesárea). Era hora de ir para o hospital.
Mal sabia eu que a dilatação já era de 9 cm e que logo mais meu filho nasceria. Juro que se tivesse uma doula e uma obstetriz ali comigo naquele quarto (e tinha, a minhã mãe, que entende de parto, mais que isso, entende de nascimento, de vida, de amor, mas naquela hora, ela estava mais nervosa do que eu), tudo seria melhor. Seria tudo extremamente melhor. Eu tenho certeza que se assim o fosse, eu saberia se estava em trabalho de parto ou não, saberia o que aconteceria logo em seguida e eu poderia ter tomado o banho que muito implorei, antes de seguir para o hospital, mas me disseram não, porque tinham medo do bebê nascer no chuveiro.
E assim seguimos para o hospital. Lembro que a noite estava fresca e tinha uma lua enorme no céu. Fiz algumas preces e segui caminhando até o quarto. Vesti aquela camisola nada empolgante e logo em seguida o médico chegou para fazer o tal exame de toque e constatou que eu estava quase parindo. Me colocaram em uma maca, levaram para a sala de parto, lembro que a trepidação do chão era confortante, aliviava as dores.
Sorrisinho entre uma contração e outra
E eu poderia encerrar aqui, dizendo que meu filho nascera de parto NORMAL e que tudo foi lindo.
Mas, analisando os fatos hoje em dia (pouco mais de nove meses depois de parir), vejo que meu parto foi sim, muito lindo. Mas o considero como um parto VAGINAL e não normal, muito menos natural (meu sonho para o próximo filho).
Vaginal, porque sofri algumas intervenções, como a analgesia (que na hora em que a recebi, agradeci imensamente ao médico por ter acabado com aquelas terríveis dores, mas a posição em que ficamos para receber a anestesia é ruim demais, a gente precisa ficar sentada, completamente imóvel e parece que o bebe, que já estava meio caminho andado, entra para dentro. Sem contar, que dias depois do parto, uma dor de cabeça medonha me tomou conta. Imaginem, uma mãe tendo que cuidar de um RN, com uma dor horripilante de cabeça, devido a anestesia, não dá), a ocitocina artificial na veia (em meus humildes conhecimentos, entendo que a ocitocina artificial serve para induzir o parto e fazer com que a mãe não perca as “forças” na hora de empurrar, e eu estava com 9 cm de dilatação antes de recebê-la na veia e depois da anestesia, perdi completamente as “forças”, aliás, fazia força, mas não sabia se estava fazendo direito, não sentia p* nenhuma. Então, pra que tomar esse treco nesse caso, minha gente?), rompimento artificial da bolsa, episiotomia e corte do cordão umbilical sem esperar que todo o sangue chegue ao RN.
Sem contar, que é horrível não ver/saber o que os médicos estão fazendo ‘lá embaixo’. Eu toparia um espelho de boa, queria ver tudo, gosto de saber das coisas, ainda mais das minhas coisas. E muito triste, é a hora em que levam o bebê para pesar, medir e sei lá mais o quê. Porque tudo tão longe da mãe? Eu só queria meu filho junto de mim, o tempo todo. É pedir muito?
E nesse momento, costuravam minha episio, e o efeito da anestesia ia se acabando. Que frio foi aquele que me tomou conta? Precisei de cobertores. Detalhe, que era um dia terrivelmente quente.
E me colocaram nos braços da mamãe
Enfim, tudo foi do jeito que tinha de ser e mesmo com todas essas intervenções, tive direito a acompanhantes (minha mãe e uma amiga enfermeira. O pai do Pi estava a caminho do hospital, mas não conseguiu chegar a tempo), não subiram em cima da minha barriga (Kristeller), não me chamaram de ‘mãezinha’ e Pietro veio para meu colo segundos depois de nascido e eu pude ficar por um bom tempo segurando-o, olhando suas mãozinhas, seus minúsculos pés e dedinhos.
Jamais vou esquecer daquele dia, sete de março de 2012, daquela madrugada, eram 04h:45min, daquele pedacinho meu de apenas 50cm, daquele chorinho meigo e de toda aquela fragilidade. Chorei, chorei muito e agradeci alto por ele ter vindo tão perfeito.
SAM_0378
E todo mundo (toda mãe) sabe que não acaba por aí, né? Tem aquele próximo passo, aquele momento intenso, complicado e  de total entrega que é a amamentação.
Onde é que estava meu leite, pelamordedeus? O menino sugava sugava sugava e nada.
Ninguém me contou sobre um monte de coisa, em relação a amamentação. Mas isso é assunto para um próximo post.
Não... mamãe ainda não tinha leite
PS: Hoje, meu Pietro completa 10 meses. S2
Beijos,
Ma Morini

A Partir do Parto

5 jan

A Agência Brasil publicou, no final de 2012, uma série especial para mostrar o atendimento às gestantes que dispensam intervenções médicas ou cirúrgicas e buscam alternativas para dar à luz de maneira mais natural, chamada Casas de Parto: Centros de Vida [clique  AQUI e acesse o link] – Eis um trechinho e algumas imagens da tal série especial da ABr:

“Com atendimento a mulheres saudáveis, casa de parto dispensa presença de médico, defende especialista”

Localizada em Realengo, RJ, Casa de Parto David Capistrano Filho é a única do município e já registrou 2 mil nascimentos em oito anos

Localizada em Realengo, RJ, Casa de Parto David Capistrano Filho é a única do município e já registrou 2 mil nascimentos em oito anos

“(…) As casas de parto evitam o uso de soro e de hormônio sintético para acelerar o parto, não fazem rompimento da bolsa desnecessariamente, a manobra de Kristeller – que é espremer a barriga como uma pasta de dente – , todos procedimentos que são uma agressão e causam muita dor às mulheres e a seus parentes

Casa Angela, uma das duas casas de parto de São Paulo, localizada no Jardim Mirante, comunidade da periferia da zona sul da capital

Casa Angela, uma das duas casas de parto de São Paulo, localizada no Jardim Mirante, comunidade da periferia da zona sul da capital

“O hospital recebe todas as intercorrências da gestação. Acaba que, não por descaso, mas por uma mistura de cuidados na mesma unidade, a tendência é olhar com menos atenção para aquela parturiente que não tem risco, em um momento em que a subjetividade do atendimento faz a diferença”, avalia Maysa, citando casos de mulheres que reclamaram de ficar sozinhas na hora de dar à luz.”

Enfermeira faz exames em bebê nascido na Casa de Parto de São Sebastião

Enfermeira faz exames em bebê nascido na Casa de Parto de São Sebastião – única de Brasília, recebe mulheres saudáveis que nunca fizeram cesárea

Muito bom isso, hein?!

Qdo eu [Ju Blasina] fiz meu pré-natal, algo que me incomodou muito foi perceber que o incentivo ao Parto Normal por parte do Ministério da Saúde era uma grande hipocrisia: os médicos [os que eu tive acesso e os que tratavam de amigas grávidas na mesma época], em sua maioria – quando em atendimento particular, tentavam persuadir as gestantes a uma cesária previamente programada, uma vez que isso se pode agendar […supermercado – academia – parto da fulana – almoço…] e, quando no SUS, fazem do Normal um ‘mal necessário’, causando na ‘parturiente’ [eita palavrinha feia]:

um estresse desnessário, num momento que deveria ser tão especial… o mais especial de todos!

Seja Normal, Natural, Cesáreo… Uma coisa é certa: nunca será legal se a mãe for ignorada, persuadida, contrariada, invadida… coisificada!

O importante e que seja humanizado: que se leve em conta os desejos, medos, anseios e limitações da mulher, da pessoa [e as pessoas em torno dela] que é o sujeito dessa grande, imensa ação que é trazer uma vida à luz!

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Nos próximos posts: relatos de partos diferentes de mulheres semelhantes: nós aqui, as gestoras – Ma e Ju!

Querendo e podendo, participe, responda: o parto dos seus sonhos… foi sonho ou pesadelo?

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