Arquivo | Uncategorized RSS feed for this section

Relato de experiência com Higiene Natural

14 nov

Higiene Natural Infantil (ou Diaper Free)

é um método no qual os bebês são criados praticamente SEM USAR FRALDAS.

Parece um sonho, uma utopia, algo que a gente lê por aí [acredite ou não, 50% dos bebês no mundo são criados sem fraldas], mas que nunca conhece alguém que tento, e que ‘ueba! deu certo!’ na vida real… Bom, eu conheço! E ela não fez isso só uma, mas três bem sucedidas vezes! Pedi a essa amiga, essa mãe que eu tanto admiro, que nos contasse aqui como foi essa experiência, qual o segredo? E ela contou!!!

Aproveitem essa DICA DE OURO


 Relato de Anete Poll

Venho de uma criação alemã, onde tudo é feito de maneira metódica e sempre cheia de “dicas” que são passadas de geração para geração.

Tirando a parte culinária, os conselhos maiores sempre são em relação a maternidade e tudo o que a envolve. Pois bem, foi por conta desta criação, que meus filhos usaram fraldas somente os primeiros 45 dias.

Vou confessar. Não foi fácil. Não só pelo trabalho de observar o horário em que faziam cocô, mas o estresse das amigas cobrando “fases” que eu estava tirando dos meus filhos e que mais tarde iria prejudicá-los. Deixei pra lá e resolvi seguir os ensinamentos da minha mãe e da minha Oma (avó em alemão). Cheia de coragem, e entusiasmo, diga-se, começei a observar os horários.

O primeiro banho da manhã era sempre por volta das 8h. E sempre gostei de dar banho em uma bacia esmaltada branca, herança da minha Oma e na qual eu e minha irmã já havíamos sido banhadas. Logo nos primeiros dias já vi que esse era o horário e a preferência do meu primeiro bebê (hoje com 24 anos) para fazer cocô.

Não sei se era a água na temperatura ideal pra ele, ou se a massagem leve no corpinho. Mas sei que funcionava.

Depois do banho, deixava ele por uma hora mais ou menos, tranquilo, tirar uma sonequinha. Quando acordava, a primeira coisa era levá-lo para o xixi. Muito fácil. Eu sentava em uma cadeira de frente para o vaso (quando estava em casa) encaixava-o nos meus braços e… Pronto! Fácil, fácil.

O intervalo entre um xixi e outro, nunca controlei rigidamente. Me baseava pela quantidade de líquidos ingerido (parece loucura né?).

O outro cocô era logo após as 13h. Também horário do banho, o primeiro da tarde. E era tranquilo. Lá pelas 16h era outro.

Quando eu viajava, o método era o mesmo. A bacia branca ia junto. Posto e hotel viravam o banheiro do meu filho. Depois de três ou quatro meses, vira rotina e não tem quem não tira de letra. Mas isso não quer dizer que ele nunca sujou uma roupinha. É claro que sim. Tanto eu quanto ele não éramos experientes nesta “coisa” de mãe e filho. Mas fui em frente.

Essa foi uma das maiores experiências maternas da minha vida. E sempre que divido com amigas, elas acham que bebê faz coco a toda hora e que é impossível controlar. Mas, como sou geminiana e tenho sempre uma explicação na ponta do cérebro. Explico para as mães de primeira viagem:

Põe uma fralda em você e fica deitada (no máximo sentada) o dia inteiro, com a bunda achatada em uma fralda (que por sua vez está achatada em um colchão, em bebê conforto, em um moisés, em uma cadeirinha de segurança e até no braço) e tenta fazer cocô. É lógico que vai sair um pouquinho de cada vez. Agora, tira a fralda. Viu???? De uma vez só.

Os conselhos de mãe e avó, ah… esses, sim, são infalíveis.

Anete, Cristiano e Gabriel

Anete e Be

Anete Poll é jornalista, mãe de Cristiano 25, Gabriel 24 e Bernardo 12.

 


Vale também dar uma olhada nesse vídeo da Mamatraca: Movimento dos #SEMFRALDA

Mais sobre: Dê uma pesquisada no trabalho das autoras Ingrid Bauer e/ou Christine Gross-Loh.

Anúncios

Parte 2: Meu tão sonhado Parto Domiciliar (nascimento da Giulia) – por Ma Morini

7 nov

E na segunda feira, 15 de setembro, acordamos eu e Pietro, estranhos. 38 semanas e 1 dia de gestação.

Saquei uma energia diferente no ar. Sabia que algo aconteceria e desconfiava muito que poderia parir naquele dia. Nossa rotina básica não se encaixou nesse dia. Estávamos aéreos.

Tinha feito as unhas no sábado, ja pensando que o parto se aproximava. Escolhi um esmalte lilás nas unhas, alias, eu passei quase toda gestação em sintonia com essa cor. Capa da almofada de amamentação, soutien de amamentação, tudo nesse tom. E entrei numa parada de comprar flores pra casa. Cada ida a feira, era um vasinho que eu trazia.

IMG_8533.JPG

Aproximadamente as 10 horas, enquanto trocava a fralda do Pi, me movimentei na cama de um jeito que forçou a musculatura da pelve. Nessa hora senti descer alguma coisa. Fui ao banheiro e era um líquido limpido. Pouco liquido. Nesse momento, gelei e deixei o iPad cair, que estava em uma mesinha no banheiro. Trincou a tela e com certeza aquilo foi mais um sinal, eu ia parir aquele dia.

Liguei pra parteira Karina e ela me disse que talvez a bolsa havia se rompido de forma alta. Porque eu perdia liquido numa quantidade muito leve e não saía o tempo todo. Ela pediu que eu a informasse caso surgisse a primeira coliquinha e se tivesse contrações. Ela ainda brincou dizendo que ficava com a pulguinha atrás da orelha comigo, porque o parto do Pietro evoluiu rapidinho, e o da Giu poderia ser mais rápido ainda.

Ao meio dia eu tive a primeira coliquinha, mas não contei pra ninguém.

IMG_8535.JPG

As segundas feiras eu costumo levar Pi numa senhorinha pra benzer. E nesse dia não seria diferente. Fomos e minha barriga também foi benzida. Saí de lá super pronta pra parir. Me sentindo iluminada, abençoada, forte.

Umas 14h, avisei a Ka que estava com cólica fraca, contrações idem e que eu estava super de boa. Por precaução, ela pediu a Thaís que viesse me ver.

Passei a tarde vendo Call The Midwife, dando atenção ao Pi e ajeitando umas coisinhas. Fiz mala da maternidade (caso precisasse do plano B), lavei louça, guardei as coisas para o PD em uma gavetona (toalhas e lençóis lavados e passados, absorvente pós parto, calcinha decartavel, lençol descartável, bolsa de água quente, peneira, etc), fiz chá de calêndula com camomila e coloquei em forminhas de gelo (pra usar no períneo no pós parto) e deixei todos os exames da gestação, documentos e plano de parto em um envelope em cima da mesa.

IMG_8534.JPG

Aí marido liga. Contar ou não contar que a parteira iria em casa me examinar? Poderia ser só os pródromos e eu ia preocupá-lo a toa. Contei. Mas pedi que ficasse em paz, de boa, que se nascesse, seria a noite.
Até parece que ele ficou de boa. Saiu da empresa e veio pra casa. No meio do caminho me liga, lembrando que estava no rodízio. Haha
Dias depois a multa chega 😒

As 18h Thaís chega e decidimos fazer um exame de toque. No grau baixo de dor que eu estava, achava que estaria com 1cm ou nada. Para minha surpresa, 4cm 😄 É, eu estava em total sintonia com meu corpo. Íamos conhecer nosso bebe muito em breve.

Fui fazer café e deixar coisinhas de comer na mesa, pra mim e pra todo pessoal. Amamentei Pietro. Marido chega. Vou pra bola. Altos papos com a Thais, sobre a filhinha dela, sobre a gestação, sobre o tempo, sobre a vida. Amamento Pietro. Marido infla piscina. Fica ansioso. Eu dou alguns coices no pobre. Peço que ele fique de boa. Ressalto que poderei virar o bicho quando as contrações mais fortes chegar. Amamento Pietro. Dores aumentam um pouquinho. Amamento Pietro. Recebo massagem do marido, enquanto Pi brinca pelado, entrando e saindo da piscina. Ligo pra fotógrafa. Dores aumentam. Karina chega. Lela fotógrafa chega.

IMG_8536.JPG

Tudo estava caminhando tranquilamente, mas tem que ter um momento de caos, se não não tem graça.
Pietro acompanhava tudo de perto, se divertiu em encher a piscina, em nadar, em ficar pelado. Ficou a vontade com as meninas e encantado com a maquina fotográfica da Lela. Ele sabia que aquilo tudo era pro nenê nascer. Ele viu muitos videos de nascimento comigo.

Só que aí o menino cansou de esperar. Chegou no limite dele. Estava exausto. Cansado. Querendo a rotina dele, a mamãe com a teteta, deitados na cama, de pijaminha, prontos pra dormir. Só que onde eu estava? Eu estava na piscina, tendo contrações fortíssimas, com dilatação total, na partolândia minha amiga.

Pietro começa a chorar desesperadamente. Renato não consegue, de jeito nenhum, fazer Pietro dormir. Chamei Pi pra ficar comigo na agua, dei peito la dentro e ele chorava e pedia para deitarmos na cama dele. Saí da piscina e amamentei o menino no sofá. Ele fechou o olho, dormiu e logo em seguida me veio uma contração ferrada, no mesmo instante eu desplugo Pi do peito e peço que Renato o chacoalhe. Mas aí Pi acorda e começa todo o desespero novamente.

Volto pra piscina e ordeno que Renato faça o filho dormir. Eu escutava o choro dele, olhava pras meninas, me concentrava, xingava Renato por dentro, por não conseguir acalmar o menino. Escutava Pietro tacando as coisas no chão e sentia a agonia, o desespero e a solidão dele. Eu sentia o mesmo e ficava imaginando como seria cuidar de dois filhos. Ele ainda tão pequeno e tão dependente de mim.

IMG_8538.JPG

Mais uma vez eu decido sair da piscina. Discuto com Renato e por fim, deito na cama com Pi. Todos saem de perto e nos deixam a sos. Tenho contrações fortissimas, daquelas que não se encontra mais posição confortavel. Pietro dorme. Desplugo ele do peito com muito cuidado pra tudo não se repetir e consigo. Respiro aliviada por um instante, até outra contração me tomar conta.

Levanto da cama dele e vou pro meu quarto. Nessa hora vejo um sangue bonito escorrer pelas minhas pernas. As meninas ajeitam tudo por lá. Sinto um calor infernal. Marido me abana com um leque salvador. Nesse momento já estou totalmente sem roupas. Nem aí pra aparência, em quem me via ou não. Alias, não consigo me lembrar em que momento tirei os oculos, o Japamala do pescoço, que tanto me deu força, presente especial da amiga Ju 💚. Não me lembro em que momento tirei o top. Total partolandia.

Em minha cama não encontro posição. Como doí, eu tinha me esquecido. A Ka pergunta se quero voltar pra piscina e eu topo. Lá vamos nós outra vez ajeitar tudo na sala. Entro na água. Recebo massagens incríveis da Ka. Ela joga agua na minha barriga tambem. Quanto cuidado. Eu só queria parir logo.

O parto de uma girafa não saía da minha cabeça. Esse parto aqui. Quando conversava não conseguia concluir o raciocínio. Na cabeça passavam muitas coisas. Muitos sentimentos de uma só vez. Não tinha palavras pra aquilo tudo. Ficava mentalizando o bebe passando, o útero se abrindo, tudo se abrindo. Rezava. As vezes minha vontade era ficar com as pernas fechadas. Mas aí me lembrava que precisava me abrir, que para toda aquela dor parar, o bebe tinha que nascer.

IMG_8549.JPG

E aí no meio dessa confusão toda de sentimentos e pensamentos, sinto a cabeça do bebê pressionando. Tudo começa a queimar. Solto uns gritos. Digo que tá doendo. Alguém me diz para colocar a mão e sentir a cabecinha. Coloco a mão e como uma criança desapontada, digo chorosa que não sinto ainda a cabeça. Mais uma contração e a vontade de fazer força surge. Na minha cabeça uma confusão entre fazer força ou não, deixar vir naturalmente ou forçar? Escolho fazer força e a cabecinha, finalmente nasce. Escuto o chorinho ❤️

IMG_8540.JPG

Com o corpinho ainda dentro de mim, ela já chorava. Anunciando ao mundo sua chegada.
A posição que melhor encontrei foi a de quatro apoios na piscina. Ela nasceu metade dentro, metade fora d’água. As mãos do pai e da Thaís a recepcionaram.

IMG_8548.JPG

Como havia pedido, ninguém me contou se era menino ou menina, eu queria ver com meus próprios olhos. O pai ja sabia que era nossa menininha.
Me virei, pulei o cordão umbilical e pude constatar e me emocionar e chorar e finalmente pegar minha pequena no colo. Nossa Giulia. Nome escolhido pelo irmão.

Era terça feira, dia 16 de setembro de 2014. As 00:55h.

IMG_8550.JPG

Continua…

Sobre a não-síndrome de mãe-única

13 set

Ouvindo alguns comentários sobre meu jeito de maternar [elogios, na maioria das vezes, até porque quem discorda não costuma se manifestar] me peguei pensando em por que eu não pareço [o estereótipo de] mãe de filho único?.. [como chama isso, mãe única? Pois deveriam criar um termo que simplifique… Se criaram, tô por fora — vou usar esse: mãe única x mãe múltipla].

Não pareço mãe única porque não acho que meu filho vai quebrar no primeiro tombo [ou no segundo, ou no 23º do dia]: crianças escalam, correm, e, no caso do lá de casa, então… pulam loucamente – e caem, e levantam e seguem fazendo o mesmo, na maioria das vezes – a menos que algum adulto apavorado as impeça… Também não temo que vá sufocar dormindo, comendo, tomando água ou que vá ‘ficar vesgo’ lendo de cabeça pra baixo, olhando pra aba do chapéu ou girando feito piorra louca. Continue lendo

Do que rolou em janeiro: entre doulas e cabelinhos, parto… e o pai, onde fica?

8 fev

Para concluir temporariamente o papo sobre PARTO, devo dizer: que polêmico foi esse primeiro mês do ano, hein? Muito disso, graças a um ‘certo’ hospital de São Paulo, que, além de proibir a presença de doulas, teve a infeliz ideia de publicar um post que incentivava o alisamento do cabelo de crianças que tem ‘o cabelo muito crespo’… Affx2! A repercussão foi tamanha que o tal post – sobre tratamento químico nas cabecinhas crespas – sumiu! Já a polêmica das doulas… deu foi mto pano pra manga: centenas de mulheres – mães, doulas, barrigudas e ativistas pela humanização do parto lotaram a Av Paulista no último domingo – e o AG tava lá, bem representado pela Ma Morini e sua família:

Marcha pelo direito a uma doula,  ocorrida em 03 de fevereiro de 2013, na Av Paulista, SP

Fotos do acervo pessoal da Ma

No post anterior a esse, minha ‘co-gestora’ de AG,  explica que: “Doulas são mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.”

————————–

[Pequena pausa para tratar do cabelinho]

Fotos dos bebês by internet

Fotos das ‘bebelezas’ e seus variados ‘bebelinhos’ by internet

Vale dizer aqui que

o AG repudia toda e qualquer prática de racismo e opressão!

Mostremos às crianças que a beleza não tem um padrão – deixa o cabelo ser crespo, liso, pouco, muito e de qualquer cor. Feio é o preconceito: tentar encaixar os seres em fôrmas desde pequenos, estimulando uma padroninazão estética… Isso, além de feio, é cruel demais – só faz destruir a autoestima ainda em formação!

————————–

Mas ‘a história do cabelo’ não foi nada se comparada a da proibição das doulas… Pra completar, alguns hospitais de SP que antes permitiam à ‘parturiente’ [palavra feia, mas tudo menos ‘mãezinha’!] ter na sala de parto o marido E a doula, disseram ‘Ê-e: agora é o marido OU a doula, mãezinha!’ – muito embora na maioria dos hospitais públicos essa já seja a realidade – isso, com sorte, quando respeitam o que a lei determina [alguns só permitem a presença de um acompanhante, quaaaando e SE a mãe requisita… oferecer, lembrar, informar dessa possibilidade, é uma ‘gentileza’ rara, viu?]

————————–

Da importância da doula na hora do parto, todo mundo [que lê o AG], já sabe, agora, e a do PAI?

Perguntamos na nossa página do Facebook “Qual o lugar mais adequado para os pais” na hora do nascimento do baby:

na SALA DE PARTO ou SALA DE ESPERA?

Entre os nossos leitores que opinaram, a maioria esmagadora votou pela presença do pai na sala de parto.

Pais do lado de dentro da sala

Fotos enviadas pelos nosos leitores-amigos via Facebook do AG

Nas fotos – do lado de dentro da sala:
Mamãe Roberta Soares mandou a primeira foto de família do Matheus (2012) – Cristian Duarte com sua amada recebendo a amadinha Sara (2011) – O pequeno Gu bem aconchegado entre os pais Aline e Vantuir (2012) – Jose Bonilha no primeiro contato “externo” com sua primogênita (2009)

  • Mais dos nossos leitores

Karen Bandeira, que é mãe de gêmeos, contou que o marido assistiu ao parto e que foi lindo: “passaram os bebês para ele me mostrar – é uma emoção que mãe nenhuma esquece, a família reunida pela primeira vez…”

Mas, como nosso relatos de parto bem exemplificam, não adianta só romantizar o momento – porque, além de lindo, o troço é punk… Cabe ao pai que pretende assistir – e até mesmo ter que ‘fazer as vezes de doula’ estar preparado!

Nossa colaboradora, a Fabi Lopes, conta que o marido dela cedeu ‘gentilmente’ a vez a qualquer uma das mulheres da família que disputavam a vaga de doula: “O Jão golfa, ele vomita junto, imagina ver o parto… Não, não. Eu também preferi assim!”

Claro que cada caso é um caso… e pra cada família, uma sentença – enquanto algumas mães se sentem mais seguras com a presença do marido, outras, ficam desconfortáveis por serem vistas naquela situação [de bicho, como manda a natureza] – e enquanto alguns pais fazem muita questão de estar do lado de dentro da sala, outros se sentem melhor na sala de espera – que é outro tipo de emoção. O grande objetivo da coisa é que todos estejam confortáveis e seguros para vivenciar esse momento ‘fuckspecial’ que é o nascimento de um filho. Como bem apontou um dos pais votantes da nossa enquete:

“Embora existam muitas orientações textuais sobre o lugar do pai nesse momento, a situação e a maturidade é que vão ditar essa posição”, disse Alisson Affonso, pai da pequena Beatriz – Disse bem… E tem o dito ;]

—————-

Na foto: Renato (e Pietro, os meninos da Ma Morini)

Na foto: Renato (e Pietro, os meninos da Ma Morini)

E como nós apoiamos a presença do pai junto ao filhote, independente do lado da sala que ele tenha escolhido para esperar, apoiamos também o Projeto de Lei que tenta aprovar a Licença Paternidade de 30 dias! Já pensou, que maravilha?

Se nós, mães, achamos pouco tempo os 4 meses [mínimos] da Licença Maternidade… O que dizer dos ‘3 dias’ que, atualmente, os pais tem direito??? Bora votar na Petição Pública em apoio ao PL da Licença Paternidade – clica aqui e, simbora!

Meu relato de parto hospitalar (nascimento do Pietro) – por Ma Morini

7 jan

Foto1203

Estava prestes a completar 39 semanas de gestação e estava tudo nos conformes. Não havia sentido nenhuma dor até aquele momento e em minha cabeça prevalecia a ideia de que por ser o primeiro parto, provavelmente passaria das 40 semanas e tudo seria extremamente demorado e muito sofrido.

Mas foi as 21h:15min desse mesmo dia, em que achava que estava tudo nos conformes, que senti a primeira coliquinha. E a partir daí foi dada a largada.

A dor aparecia de vez em quando e começou a aumentar. Deu meia noite, uma da manhã, tentei dormir mas não conseguia. Juntou as dores que não paravam de chegar, junto da ansiedade. Decidi pegar papel e caneta para anotar o tempo entre as contrações (hoje sei que anotar contrações, é pura besteira, só confunde mais ainda nossa cabeça, pelo menos a minha), já que não dormia mesmo. Perto de duas da manhã fui fazer xixi e tinha um pouco de sangue. Entrei em choque, a última coisa que esperava ver era sangue. Chamei minha mãe e mostrei. Ela disse ser normal e que poderia sair mais. E foi o que aconteceu. As duas e quarenta da madrugada saiu o tampão e mais sangue e mais dor. Muita dor.

E nesse dia matei minha curiosidade de saber como era essa dor, essa tal dor de parto. É total entrega. Você fica a mercê da dor. Ela te domina. É mesmo um encontro com nosso lado mais obscuro. E o melhor de tudo, é a prova do quão forte é um ser humano, do quanto ele pode suportar.

E segui com as dores, mudava de posição, levantava, plantava bananeira e nada de melhorar. Vi que não adiantava fazer nada, quando a dor vinha era melhor fechar os olhos, agüentar firme e esperar que ela passasse.

Perto de três e pouco da madrugada veio uma dor estonteante, seguida de câimbra na barriga, sensação de Pietro estar empurrando e muita vontade de vomitar. Saí correndo pro banheiro e vomitei tudo o que não havia vomitado na gestação toda. Foi uma dor terrível. E foi nessa hora que decidi que não aguentaria mais (cheguei até a implorar por uma cesárea). Era hora de ir para o hospital.
Mal sabia eu que a dilatação já era de 9 cm e que logo mais meu filho nasceria. Juro que se tivesse uma doula e uma obstetriz ali comigo naquele quarto (e tinha, a minhã mãe, que entende de parto, mais que isso, entende de nascimento, de vida, de amor, mas naquela hora, ela estava mais nervosa do que eu), tudo seria melhor. Seria tudo extremamente melhor. Eu tenho certeza que se assim o fosse, eu saberia se estava em trabalho de parto ou não, saberia o que aconteceria logo em seguida e eu poderia ter tomado o banho que muito implorei, antes de seguir para o hospital, mas me disseram não, porque tinham medo do bebê nascer no chuveiro.
E assim seguimos para o hospital. Lembro que a noite estava fresca e tinha uma lua enorme no céu. Fiz algumas preces e segui caminhando até o quarto. Vesti aquela camisola nada empolgante e logo em seguida o médico chegou para fazer o tal exame de toque e constatou que eu estava quase parindo. Me colocaram em uma maca, levaram para a sala de parto, lembro que a trepidação do chão era confortante, aliviava as dores.
Sorrisinho entre uma contração e outra
E eu poderia encerrar aqui, dizendo que meu filho nascera de parto NORMAL e que tudo foi lindo.
Mas, analisando os fatos hoje em dia (pouco mais de nove meses depois de parir), vejo que meu parto foi sim, muito lindo. Mas o considero como um parto VAGINAL e não normal, muito menos natural (meu sonho para o próximo filho).
Vaginal, porque sofri algumas intervenções, como a analgesia (que na hora em que a recebi, agradeci imensamente ao médico por ter acabado com aquelas terríveis dores, mas a posição em que ficamos para receber a anestesia é ruim demais, a gente precisa ficar sentada, completamente imóvel e parece que o bebe, que já estava meio caminho andado, entra para dentro. Sem contar, que dias depois do parto, uma dor de cabeça medonha me tomou conta. Imaginem, uma mãe tendo que cuidar de um RN, com uma dor horripilante de cabeça, devido a anestesia, não dá), a ocitocina artificial na veia (em meus humildes conhecimentos, entendo que a ocitocina artificial serve para induzir o parto e fazer com que a mãe não perca as “forças” na hora de empurrar, e eu estava com 9 cm de dilatação antes de recebê-la na veia e depois da anestesia, perdi completamente as “forças”, aliás, fazia força, mas não sabia se estava fazendo direito, não sentia p* nenhuma. Então, pra que tomar esse treco nesse caso, minha gente?), rompimento artificial da bolsa, episiotomia e corte do cordão umbilical sem esperar que todo o sangue chegue ao RN.
Sem contar, que é horrível não ver/saber o que os médicos estão fazendo ‘lá embaixo’. Eu toparia um espelho de boa, queria ver tudo, gosto de saber das coisas, ainda mais das minhas coisas. E muito triste, é a hora em que levam o bebê para pesar, medir e sei lá mais o quê. Porque tudo tão longe da mãe? Eu só queria meu filho junto de mim, o tempo todo. É pedir muito?
E nesse momento, costuravam minha episio, e o efeito da anestesia ia se acabando. Que frio foi aquele que me tomou conta? Precisei de cobertores. Detalhe, que era um dia terrivelmente quente.
E me colocaram nos braços da mamãe
Enfim, tudo foi do jeito que tinha de ser e mesmo com todas essas intervenções, tive direito a acompanhantes (minha mãe e uma amiga enfermeira. O pai do Pi estava a caminho do hospital, mas não conseguiu chegar a tempo), não subiram em cima da minha barriga (Kristeller), não me chamaram de ‘mãezinha’ e Pietro veio para meu colo segundos depois de nascido e eu pude ficar por um bom tempo segurando-o, olhando suas mãozinhas, seus minúsculos pés e dedinhos.
Jamais vou esquecer daquele dia, sete de março de 2012, daquela madrugada, eram 04h:45min, daquele pedacinho meu de apenas 50cm, daquele chorinho meigo e de toda aquela fragilidade. Chorei, chorei muito e agradeci alto por ele ter vindo tão perfeito.
SAM_0378
E todo mundo (toda mãe) sabe que não acaba por aí, né? Tem aquele próximo passo, aquele momento intenso, complicado e  de total entrega que é a amamentação.
Onde é que estava meu leite, pelamordedeus? O menino sugava sugava sugava e nada.
Ninguém me contou sobre um monte de coisa, em relação a amamentação. Mas isso é assunto para um próximo post.
Não... mamãe ainda não tinha leite
PS: Hoje, meu Pietro completa 10 meses. S2
Beijos,
Ma Morini
%d blogueiros gostam disto: