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Relato de parto semi-domiciliar, por Karoline Saadi

1 abr

“Amor, tu tens que parir um dia, é o melhor barato que existe!!!!” –

– Karoline Saadi, parindo Clarice, em 23 de março de 2015.

Hoje é 1º de abril, mas o que temos a oferecer é um presente muito verdadeiro!!!

Esse relato de parto ‘semi-domiciliar’ fala sobre luta, amor, determinação, o parto sonhado e o parto possível.

Só temos a agradecer a Karol por nos permitir compartilhar o relato dela aqui e as liiindas imagens de seu acervo pessoal – que tudo isso sirva de inspiração pra quem busca um empurrãozinho para ‘o lado do parto do bem’, como diz ela mesma.

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Por Karoline Saadi

Para comemorar a primeira semana de vida da Clarice, o relato do nosso nascimento:

Então em julho ficamos sabendo que traríamos um novo ser para habitar esse mundo.
E no meio ao turbilhão de emoções, uma coisa eu sempre soube: o dia que eu fosse gerar uma nova vida, ela chegaria de forma respeitosa e amorosa.

Muitos e muitos anos trabalhando com gestantes e bebês me fizeram ver muita criança nascendo de cesáreas, e essa era, definitivamente, uma coisa que eu não queria pra mim. Não conseguia assimilar aquele bando de mulher saudável fazendo cirurgia para gestações também saudáveis… Mas e agora??? Eu também tinha conhecimento sobre o sistema obstétrico brasileiro, sobre os médicos cesaristas, sobre a falta de interesse e vontade em seguir com o parto normal sem intervenções, sem pressa, respeitando o tempo da mãe e bebê… e iniciamos a saga: Continue lendo

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Humaniza… o quê?

12 mar

Humanizar não é parir dentro da água entoando cânticos enquanto mulheres nuas dançam ao seu redor.

Ok, pode ser isso também, se for esse o SEU jeito de se sentir segura e poderosa para parir em paz. Mas vai muito além disso.

Joseph Tomanek 1889-1974 [círculo de mulheres = sonho meu!]

Pode ser parir em casa, assistida pela família (e, de preferência por alguém habilitado a observar e orientar o trabalho). Pode ser parir no escuro, em silêncio, sem nenhuma intervenção. Pode ser parir num hospital, tudo branco, muita luz, cercada de médicos, enfermeiras e toda a parafernália hospitalar. Pode ser parir no mato, gritando feito o bicho que somos, de quatro apoios, nas mãos de uma parteira anciã (e talvez com aquelas mesmas dançarinas bruxas-nuas do exemplo inicial). Pode ser parir olhando nos olhos do seu marido, segurando na mão da sua mãe, chamando pelo seu filho…

Pode mais ou menos que tudo isso.

[E pode então haver cesárea humanizada? Ih… Essa resposta é muito pano pra pouca manga. Mas… Resumidamente: pode. Pode, sim, porque não? Da mesma forma que pode, e tem muito, parto normal traumatizante. Humanização não se trata da ‘via de saída do bebê’. Mas aqui, assumo como parto o normal – aliás, dizer ‘parto normal’ é redundância. E a cesárea? uma cirurgia. Com os riscos e as dores que toda cirurgia acarreta, e, portanto, torçamos para que não se precise de uma! Mas e se mesmo não precisando e sabendo de tudo-tudinho a mulher prefere uma cesárea à experiência do parto? Então, amiga: humanizemos!]

NOTA: “Embora um médico humanizado de verdade, jamais aceitará fazer uma cesárea sem necessidade”

– observação muito pertinente da Ma Morini sobre a questão.

 

Se tratando de humanização, o assunto é amplo. O que é certo então?

Certo é que a mulher a parir estará cercada por aqueles em quem confia, num lugar em que se sinta acolhida, na posição em que se sinta mais confortável. Todos que desse momento participarem, conhecerão o plano de parto que ela fez, saberão o nome dela, o nome do bebê por quem esperam e farão questão de lhes tratar assim.

Haverá respeito, haverá amor!

Ela não terá mais medo que coragem, ela não se sentirá sozinha ou hostilizada. A dor será apenas física, e será o de menos diante da grandeza da experiência.

Ela não será separada abruptamente do seu bebê, impedida de amamentar ou obrigada a qualquer outra coisa. Aliás, é isso: ela não será obrigada!

Porque humanização é, acima de tudo, RESPEITO!

Porque humanização é, acima de tudo, RESPEITO!

Ela se sentirá segura!

E, por fim, sobre o momento em que deu à luz uma vida, ela sempre se sentirá FELIZ.

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E você, amiga-mães: se sente feliz com as memórias do parto?

Conta pra gente!

Eu,  não — clique > AQUI <  e entenda o porquê.

Relato de experiência com Higiene Natural

14 nov

Higiene Natural Infantil (ou Diaper Free)

é um método no qual os bebês são criados praticamente SEM USAR FRALDAS.

Parece um sonho, uma utopia, algo que a gente lê por aí [acredite ou não, 50% dos bebês no mundo são criados sem fraldas], mas que nunca conhece alguém que tento, e que ‘ueba! deu certo!’ na vida real… Bom, eu conheço! E ela não fez isso só uma, mas três bem sucedidas vezes! Pedi a essa amiga, essa mãe que eu tanto admiro, que nos contasse aqui como foi essa experiência, qual o segredo? E ela contou!!!

Aproveitem essa DICA DE OURO


 Relato de Anete Poll

Venho de uma criação alemã, onde tudo é feito de maneira metódica e sempre cheia de “dicas” que são passadas de geração para geração.

Tirando a parte culinária, os conselhos maiores sempre são em relação a maternidade e tudo o que a envolve. Pois bem, foi por conta desta criação, que meus filhos usaram fraldas somente os primeiros 45 dias.

Vou confessar. Não foi fácil. Não só pelo trabalho de observar o horário em que faziam cocô, mas o estresse das amigas cobrando “fases” que eu estava tirando dos meus filhos e que mais tarde iria prejudicá-los. Deixei pra lá e resolvi seguir os ensinamentos da minha mãe e da minha Oma (avó em alemão). Cheia de coragem, e entusiasmo, diga-se, começei a observar os horários.

O primeiro banho da manhã era sempre por volta das 8h. E sempre gostei de dar banho em uma bacia esmaltada branca, herança da minha Oma e na qual eu e minha irmã já havíamos sido banhadas. Logo nos primeiros dias já vi que esse era o horário e a preferência do meu primeiro bebê (hoje com 24 anos) para fazer cocô.

Não sei se era a água na temperatura ideal pra ele, ou se a massagem leve no corpinho. Mas sei que funcionava.

Depois do banho, deixava ele por uma hora mais ou menos, tranquilo, tirar uma sonequinha. Quando acordava, a primeira coisa era levá-lo para o xixi. Muito fácil. Eu sentava em uma cadeira de frente para o vaso (quando estava em casa) encaixava-o nos meus braços e… Pronto! Fácil, fácil.

O intervalo entre um xixi e outro, nunca controlei rigidamente. Me baseava pela quantidade de líquidos ingerido (parece loucura né?).

O outro cocô era logo após as 13h. Também horário do banho, o primeiro da tarde. E era tranquilo. Lá pelas 16h era outro.

Quando eu viajava, o método era o mesmo. A bacia branca ia junto. Posto e hotel viravam o banheiro do meu filho. Depois de três ou quatro meses, vira rotina e não tem quem não tira de letra. Mas isso não quer dizer que ele nunca sujou uma roupinha. É claro que sim. Tanto eu quanto ele não éramos experientes nesta “coisa” de mãe e filho. Mas fui em frente.

Essa foi uma das maiores experiências maternas da minha vida. E sempre que divido com amigas, elas acham que bebê faz coco a toda hora e que é impossível controlar. Mas, como sou geminiana e tenho sempre uma explicação na ponta do cérebro. Explico para as mães de primeira viagem:

Põe uma fralda em você e fica deitada (no máximo sentada) o dia inteiro, com a bunda achatada em uma fralda (que por sua vez está achatada em um colchão, em bebê conforto, em um moisés, em uma cadeirinha de segurança e até no braço) e tenta fazer cocô. É lógico que vai sair um pouquinho de cada vez. Agora, tira a fralda. Viu???? De uma vez só.

Os conselhos de mãe e avó, ah… esses, sim, são infalíveis.

Anete, Cristiano e Gabriel

Anete e Be

Anete Poll é jornalista, mãe de Cristiano 25, Gabriel 24 e Bernardo 12.

 


Vale também dar uma olhada nesse vídeo da Mamatraca: Movimento dos #SEMFRALDA

Mais sobre: Dê uma pesquisada no trabalho das autoras Ingrid Bauer e/ou Christine Gross-Loh.

Apenas um relato sobre a ‘dor de parto’

29 set

Cesárea dói.

Engana-se quem pensa que não, quem opta por uma por medo da tão famosa ‘dor do parto’, o normal.

Eu sou Ju Blasina, uma das autoras do blog Andogestando, poeta, bióloga, mãe do Dimi, que nasceu há 2 anos e meio pelo meio cirúrgico, não natural, e estou aqui pra dizer que: dói, cesárea dói e muito.

Dói a ideia de ter seu corpo invadido por instrumentos cirúrgicos, dói quando isso é feito sem qualquer respeito pelas vidas confiadas aos profissionais atuantes. Dói mais quando não é uma escolha e mais ainda quando se questiona pra sempre a necessidade disso. Dói e imagino que doa mesmo quando é comprovadamente necessária — já que isso significa algum problema sério a mudar os planos e roubar o romance do momento pelo qual mais se espera.

Dói também tudo o que vem depois — semanas de movimentos limitados e dor [porque se encher de boletas analgésicas não é a maneira mais adequada de se iniciar na amamentação]. Meses depois e a marca daquele corte que não precisava estar ali dói.

Dói assistir a outros partos, partos lindos, partos que permitem aquele momento sublime em que a mãe abraça seu filho recém-nascido e o recebe com ambos os braços livres e com calor, com todo calor que ele precisa e que ela guardou pra ele — e o põe no colo e oferece o peito e ele aceita ou dorme aconchegado ali, não num berçário, sozinho, por horas e horas e horas… ou dias.

Dói o furto da dor que não se teve — aquela que transforma, mãe e filho, a dor que não requer analgésicos e que termina assim que cumpre seu propósito: o de trazer a vida.

Uma cesárea quando vista de perto e sentida da forma como eu sinto a minha quando fecho os olhos e passo lentamente os dedos sobre a cicatriz profunda que ela deixou em mim… Dói — dói muito e sempre, sempre vai doer.

E só o amor cura...

E só o amor cura…

Sobre a não-síndrome de mãe-única

13 set

Ouvindo alguns comentários sobre meu jeito de maternar [elogios, na maioria das vezes, até porque quem discorda não costuma se manifestar] me peguei pensando em por que eu não pareço [o estereótipo de] mãe de filho único?.. [como chama isso, mãe única? Pois deveriam criar um termo que simplifique… Se criaram, tô por fora — vou usar esse: mãe única x mãe múltipla].

Não pareço mãe única porque não acho que meu filho vai quebrar no primeiro tombo [ou no segundo, ou no 23º do dia]: crianças escalam, correm, e, no caso do lá de casa, então… pulam loucamente – e caem, e levantam e seguem fazendo o mesmo, na maioria das vezes – a menos que algum adulto apavorado as impeça… Também não temo que vá sufocar dormindo, comendo, tomando água ou que vá ‘ficar vesgo’ lendo de cabeça pra baixo, olhando pra aba do chapéu ou girando feito piorra louca. Continue lendo

Papo de pai #3: Paternidade conquistada com sucesso

26 ago

por Jairo Lopes*

 Minha relação com Dimitri começou de  forma complicada, creio que muitas assim começam…

Dimi - Jairo - e Rukia

Dimi – Jairo – e Rukia

Foi algo realmente inesperado, a vida tinha seguido um curso em que paternidade não parecia algo imaginável. Mas ela aconteceu. Eu e minha esposa estávamos separados, e ela engravidou, então voltamos, e desde o início eu sabia que não era pai biológico do meu filho.

Durante a gravidez me comportei como um estereótipo de pai, tentei mas não tinha o apego que a mãe esperava que eu tivesse. Dentro de mim, sabia que a minha relação realmente começaria com a chegada dele e fazia o que podia para tornar essa chegada a melhor possível. Não era falta de sensibilidade (pelo menos gosto de acreditar que não) e, sim, algo que me dizia que a única pessoa que poderia me aprovar como pai era o Dimi, não importa o que a mãe dele queria que eu fosse ou o que eu gostaria de ser e, sim, se ele me aceitaria. Continue lendo

Papo de pai #2: Pais Eternos

8 ago

Por João Rodrigo Souza Leão

A respeito de ser pai, uma das únicas certezas é ter a mente repleta de dúvidas, pois toda vez que olho meu filho só vejo perguntas:

Será que ele será uma pessoa do bem? Será que ele terá uma profissão digna? Será que aprenderá com sabedoria meus ensinamentos? Ele será tolerante com os outros? Me ouvirá quando crescer? Será que minhas palavras servirão de conforto nas horas menos felizes?

Esse mar de perguntas é às vezes esquecido nos momentos de prazer ao dividir com ele a cama no dias frios fornece-lo calor e aconchego. Ao alimentá-lo e ver que os seus olhinhos não desgrudam dos meus. Ao ouvi-lo balbuciar as primeiras palavras desconexas, mas cheias de significado. Ou ainda ao vê-lo ensaiar os primeiros passos sem firmeza seguidos das primeiras quedas.

Na obra autobiográfica “O filho Eterno”, do escritor Cristóvão Tezza, o autor relata sua experiência de ser pai de um filho com Síndrome de Down. O título da obra sinaliza que os desafios e angústias deste e de outros pais são contínuos e duradouros, pois crianças com tal necessidade especial tendem a consumir mais tempo e dedicação de seus pais. O autor relata as batalhas, as lutas e ainda cada pequena conquista e vitória alcançada por seu filho. Segundo o autor, seu filho será um filho eterno.

O Filho Eterno, Cristovão Tezza. Editora Record, 2007

O Filho Eterno, Cristovão Tezza. Editora Record, 2007

Muitos papais enfrentam ainda a angústia de serem os provedores de conforto e segurança. E isso, encurtando a história, exige dinheiro. Embora a felicidade junto dos filhos não dependa somente disso, os pais travam uma luta silenciosa a cada jornada de trabalho a cada desafio financeiro e a cada revés monetário. Homens não falam muito de seus problemas e muitas vezes guardam essas incertezas internamente. E muitas vezes, por serem também “meninos”, acabam por transformar problemas em brincadeiras, tristezas em fantasias.

O que faz de nós papais?

O simples fato de engravidarmos uma mulher? O ato de criar os pequenos e adoráveis bebês? Ou será que já nascemos papais e tudo isso seja fruto do instinto? Será que está tudo nos genes, como sugere o renomado biólogo Richard Dawkins em seu aclamado Best Seller “O Gene Egoísta”?

Talvez não seja nada disso.

Eu, particularmente, me tornei pai no momento que soube da gravidez de minha esposa. Outros papais viram papais aos poucos, ao longo dos nove longos meses de gestação. O importante é descobrir que aquele pequeno ser depende muito do bem estar e da segurança que o papai proporciona ao lar e à família.

Muitos tornam-se papais porque querem a continuidade de sua linhagem. Outros ainda, referem-se à necessidade de ter alguém na velhice que os ampare. Talvez a mais bela definição da paternidade seja a que William Sheakespeare relata em seu soneto número 12:

“Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono

Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.”


Fica evidente que segundo Sheakespeare a única maneira de vencer a morte é a procriação, fazer cópias de si mesmo. Mas será que somos apenas isso? Meros replicadores? Simples máquinas de copiar genes? Ou será que a investida dos papais é algo maior? Um exercício de carinho? Ou ainda a própria definição do amor?
 –
Talvez as respostas sejam complexas demais.
Pode ser que elas nem existam. Pode ser também que elas sejam desnecessárias frente ao zelo e ao cuidado que os papais tem com seus filhotes.

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Existem pais que não precisam de rótulos ou definições, pois atuam como se tivessem nascido para a paternidade.

Apenas não carregaram os pequenos em seus ventres porque a natureza e a evolução negou isso a eles. Muitos papais colam seus rostos nas carinhas dos seus bebês e sentem o cheiro de sues filhos. Outros pressentem e evitam o perigo; amparam com carinho os seus pequenos. E mesmo depois que estes crescem, o carinho continua o mesmo.

São papais eternos.

 

Talvez ser pai seja mesmo muito complexo, mas a própria natureza nos dá lições de reciclagem, de vida e renascimento.

As estrelas, por exemplo, tem um ciclo de vida. E no final, ao esgotarem o combustível de seus núcleos em chamas, algumas explodem em espetaculares supernovas. O produto da morte estelar é um meio rico em novos elementos químicos que dará origem, no tempo certo, às novas gerações de estrelas.

 

Talvez a missão dos papais seja mesmo essa:

Ensinar o que puderem aos seus pequenos, amá-los infinitamente e após um certo tempo imitarem as estrelas, cedendo lugar a uma nova geração, ainda mais rica, observando que seus filhos finalmente cresceram!

 

Cabe a nós papais termos a certeza de que nossos filhos, um dia, possuirão brilho próprio e iluminarão nossas vidas,

como as estrelas do céu.

 

João pai e João filho

João pai e João filho

João Rodrigo Souza Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas mora no sul do Brasil desde sempre. Escolheu a física e a astrofísica como profissão, mas não esquece a literatura e paixão pelas artes. No dia a dia estuda a composição química de galáxias, mas também escreve contos, poemas e crônicas. Atualmente vem aprendendo a ser o papai do Joãozinho, que tem lhe mostrado outras janelas para o vasto universo interior constituído pela mente e pelas percepções humanas. Contato e outros textos do autor, você encontra  em:

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