Terrible Twos ou ‘Mr Hyde: é você, meu filho?’

23 maio

Desde que completou 2 anos Dimi tem apresentado um comportamento que eu costumo descrever como ‘com a macaca’ [nenhuma relação com a campanha ridícula do #somostodosmacacos, me poupem] – na verdade, tudo começou dois dias antes de completar os 2 anos… Pegue tudo que você lê sobre ‘The Terrible Twos’ – a fase de desenvolvimento mais complicada pela qual uma criança passa… uma crise que pode durar um ano inteiro, a adolescência do bebê – e aceite: é verdade, sem exagero!  – e pior: pode acontecer com você. A chegada dos dois anos pode despertar o Mister Hyde do seu pequeno Dr Jekill e não há nada que se possa fazer a não ser run, RUN! corra, corra e não olhe pra trás! ter pa-ci-ên-cia.

A crise dos dois anos [The Terrible Twos] é conhecida como 'a adolescência do bebê'

A crise dos dois anos [The Terrible Twos] é conhecida como ‘a adolescência do bebê’

E terrível é pouco para descrever a crise que tomou conta do Dimi – nos primeiros dias, menino chorava, chorava sem parar e se agarra a mim como se o chão fosse se abrir caso ele me soltasse. E mamava, senhor… esse menino mamava! Mamava até me transformar numa uva passa desalmada. E tudo que ele vinha demonstrando de conhecimento engatilhado – os ‘aplicativos que estavam com mais de 50% de download’ – como comer sozinho, falar, dormir sem colo… atividades que envolviam independência… de repente, puft, zeraram – ou assim pareciam.

No mês que se seguiu, essa insegurança deu lugar a fúria. E ao invés de chorar como se estivesse medo e se agarrar a  mim, o menino começou a chorar, se jogar no chão e bater em tudo e todos que estivessem ao seu redor. E nós passamos de nível no que diz respeito a paciência e atingimos o nível épico desse atributo. Mas naquele momento, ninguém comemorou – não havia como.

  • Quando as primeiras crises de fúria vieram com força, tentamos conversar com ele, dar carinho, explicar que bater é ruim e não faz passar a coisa ruim que ele tava sentindo — tentar nomear o sentimento, a tal coisa ruim [geralmente, a crise explodia quando ele estava com fome ou sono ou ambos — depois, bastava ser contrariado e pimba].

  • Tentamos também a abordagem do ‘sem plateia não tem espetáculo‘, mas ignorar meu filho enquanto ele estava transtornado e totalmente confuso não me caia bem – e só o deixava ainda mais brabo ainda.
  • Tentamos simplesmente parar de fazer ladainha e dar carinho. Abraço forte, massagem nas costas – uma repreensão verbal quando vinham os tapas, mas sem ficar repetindo isso por uma hora inteira.
  • Tentamos cantar – e isso, definitivamente, o deixava MUITO irritado. Tentamos a abordagem de mudar o foco – distrair com a TV, um livro, uma brincadeira… e Nada.
  • Tentamos até mesmo redirecionar a raiva para um bicho de pelúcia – ou deixar que ele nos batesse até cansar [num momento de desespero, ok?!  mas isso é algo que não se deve fazer – que fique claro:  não faça!].
  • Tentamos parecer fortes e sábios e seguros… Depois tentamos parecer quem somos e sofremos a dor dele – choramos juntos algumas vezes. Tentamos, tentamos, tentamos, senhor, tentamos!
  • Tentamos tudo o que podíamos, mas a gente não pode oferecer aquilo que não tem. E por isso, todo dia lá ia eu pesquisar sobre novas explicações e estratégias e depois passava isso para as pessoas que comigo criam esse menino – porque eu queria ter mais a oferecer. E é quando a generosidade se mistura ao egoísmo:

– eu queria fazer mais por ele, mas queria também me sentir melhor – menos fracassada como mãe… porque, embora não seja essa a verdade, é a sensação que se tem quando o filhotinho da gente manifesta um desespero que nós nem entendemos, nem podemos fazer qualquer coisa a respeito.

PQP… eis porque mãe sofre – pai sofre, vó sofre… Todo mundo que ama, que se envolve, que se importa sofre!

Mas sofrer não ajuda muito nessa hora. Na verdade, só prejudica.

Certas coisas não necessitam de compreensão, só de aceitação.

Aceitar que seu filho tem que passar por isso, que faz parte do desenvolvimento dele – que é uma busca que ele precisa fazer por si e que nessa busca, nós não passamos de sua… equipem de apoio. Aceitar que não se é perfeito – que a perfeição só existe no mundo das ideias e que é essa a primeira pedra que se precisa remover para seguir adiante, do melhor jeito possível, dentro daquilo que se tem condições de compreender – e oferecer.

E quando paramos de decretar guerra contra o monstro dos 2 anos, eis que a crise deu uma trégua e um salto imenso de desenvolvimento se revelou: Dimi, um viciado em tetêtis anônimo, o menino que todos achavam que mamaria até os 18 anos, de repente, desmamou – com 2 anos e 40 dias – Dimi desmamou sozinho!

Depois disso, o comportamento dele deu uma melhorada significativa!

E nós, também melhoramos nossa sintonia com ele. As crises não se foram de vez – e acho que estão longe, muito loooonge disso – mas se tornaram mais brandas e menos duradouras. Conosco, o que tem funcionado é  não alimentar o monstro aumentar a briga e desviar a atenção para outro foco. Mas vale lembrar que cada criança (e família) ‘funciona’ de um jeito… Sendo assim, eis uma lista* que pode ajudar vcs a encontrarem que jeito é esse:

Dimi fazendo cara de lindo, pra animar vcs! Força na peruca, pessoal!

Dimi fazendo cara de lindo, pra animar vcs! Força na peruca, pessoal!

 

DEZ dicas para transformar os “Terríveis” em “Toleráveis e Às vezes Fantásticos” Twos /Dois (tradução livre*):

1. Prepare-se: O estágio de desenvolvimento conhecido como (Terrible Twos) “os terríveis dois anos” pode começar em qualquer momento entre 18 a 30 meses e, normalmente, termina próximo aos três anos. Prepare-se!

2. O ovo de ouro: Lembre-se que o objetivo dessa fase é “adquirir independência e explorar o mundo” e não “fazer mamãe/papai/vovó e todos de loucos”. Então, quando você quer sair do parque e seu filho diz: “Não!” e em seguida retorna a cavar a areia atentamente, tente ver o mundo através dos olhos dele. Respiração profunda ajuda aqui.

3. Use a imaginação: Crianças nesta idade amam ajudar e aprendem por imitação. DICA: tire fotos dos brinquedos e use-as para rotular as caixas onde eles devem ser guardados, cada um em seu lugar: bolas, carros, blocos, bonecas… Então, quando você começa a cantar “a música da arrumação” a criança terá essa referência para ajudar.

4. Tempo para as tarefas e transições: É mais rápido arrumar as compras ou guardar você mesmo os lápis de cor, mas crianças de dois anos gostam de ajudar – e assim adquirem novas habilidades. Separe tempo para permitir que eles ajudem. Ex: cronometre 10 minutos para o ‘jogo de guardar’ ou diga “você pode ir no escorregador mais duas vezes; em seguida, nós temos que ir” – mostre seus dedos contando ‘dois’ e conte cada viagem no escorregador fechando os dedos.

5. Não pergunte, não diga: Não faça perguntas que permitam um ‘não’ como resposta. Tente transformar qualquer atividade em brincadeira: ao invés de “Você quer subir e ir para a cama?” Ou “Você precisa ir para a cama agora!” Tente “Gostaria de subir rastejando pelas escadas? Vamos apostar corrida!”

6. Seja “Um homem com um plano”: Imagine um dia em que você não tinha ideia do que estava no cronograma e toda vez que começou a fazer algo divertido, veio alguém e o levou embora pela mão. Nada bom, né? Ajude seu filho a saber o que esperar do dia! Pegue cartolina ou um pedaço grande de papel, coloque fotos ou faça desenhos que representem a rotina diária. À medida em que o dia passa, peça ao seu filho para lhe mostrar que atividade vem a seguir. Por exemplo, fotos de alimentos, uma escova de dentes, roupas, veículo da família, travesseiro, brinquedos, etc.

7. O jogo do copo: Lembra do jogo em que um homem põe uma bola sob um copo de três e tenta distraí-lo, movendo-os rapidamente? Pois a distração tem um poder impressionante em crianças de dois anos! Ele começa a pedir algodão doce no zoológico, “Uau, Tommy, olhe para aquele elefante, vamos ver o que ele está fazendo? É melhor se apressar ou vamos perdê-lo”.

8. Atração Positiva: Você já teve um dia em seu trabalho ou vida pessoal em que todos lhe disseram ‘não’ ou foram negativos? Como você se sentiu no final? Pesquisas mostram que crianças lembram de declarações positivas mais facilmente do que das negativas – elas também aprendem e guardam melhor as informações passadas de forma positiva. Assim, em vez de : “Não bata essa porta!” Tente “Feche as portas com cuidado” – Um “Não bata!” pode se tornar “Mãos são para ajudar, não para machucar”.

9. Sentindo seu caminho: Reconheça os sentimentos da criança e ajude ensinando palavras para expressa-los: ” Eu sei que você está triste porque seu biscoito quebrou quando tentou pegá-lo, mas olhe, ele ainda é gostoso assim!”

10. Analise-se: No final de cada dia, pergunte-se: “Como isso funcionou para você? Celebre seus sucessos parentais; crie estratégias sobre superar seus desafios e lembre-se que amanhã é um novo dia.

*FONTE: childrensmd.org

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E como o jeito na vida é rir pra não chorar… Eis um vídeo que prova que ninguém, NINGUÉM, nem as melhores, nem as mais pré históricas famílias estão livres da ‘crise dos dois’ – Terrible Twos, Baby:

[enjoy ;]

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