Dia dos pais…

10 ago

…já é amanhã, minha gente e eu procurando algo bem legal pra postar.

E eis que leio um relato do pai do meu filho e putz, nada mais justo um relato de um pai, para o dia dos pais, né? Os pais deveriam escrever mais. Fico boba quando leio ‘pais’, são tão sensíveis, divertidos e babões…

Segue o relato de parto, que meu marido NÃO viu.

Por Renato Maluf (pai do Pi)

Esperávamos nosso filho, a Mari e eu, para uns 10 dias, mais ou menos, depois que ele nasceu.
Eu estava absolutamente tranquilo, ou melhor, relativamente tranquilo, aqui em S. Paulo, trabalhando num escritório de movimento frenético, e naquele dia (6/3/XII), durante uma reunião, pensei muito intensa e insistentemente na minha esposa, grávida. A sensação foi de que meu filho nasceria, e a reunião, para mim, tornou-se algo como A Chinela Turca, de Machado.
Saí da banca, naquele dia, embarafustado em pensamentos os mais disfóricos possíveis. Quando liguei para a Mari, ela só me disse:
– Estou sentindo umas cólicas muito fortes, mas acho que é normal, nos últimos dias.
Pronto. O coração foi a mil. E tome bradicárdicos!
Devemos ter trocado uns 6 telefonemas, até perto de meia-noite, quando então consegui dormir, ela me havendo garantido que nos derradeiros dias pré-parto tais cólicas eram comuns.
Acordei perto de duas e tanto da manhã, com um telefonema da minha sogra dizendo apenas:
– Renato, é chegada a hora…
Aprontei-me, tipo tomei banho, fiz um café fortíssimo, mandei um chocolate dulcíssimo, montei uma mala tipo na urgência (engastalhei as roupas lá dentro de qualquer jeito) e fui embora: de Sampa a Marília são perto de 5h de viagem, se se andar no limite de velocidade de cada estrada.
Não senti o tempo passar, nem me senti passando pelo tempo.
Como seria a cara do nenê? Um joelhinho? Um coelhinho? Um pompom?
E minha esposa, como estaria? Bem? Cansada? Frágil?
Aaaaaaaah!
Cheguei à Cidade natal de meu filho no meio da manhã e já parei perto do hospital. Subi rapidamente para o quarto. Certifiquei-me de que a Mari estava bem, e… a cena mais linda que já vi em toda a minha vida: um trocinho de 3,5 kg e 50cm estava lá, pequenito e frágil, mas capaz de trazer para um pai de primeiera viagem a mais forte das emoções que a vida poderia proporcionar-lhe.
Peguei-o no colo, abracei-o apertado (claro, respeitando a sua textura de geleia, tadinho), e queria chorar, queria rir, queria tudo o que fosse estar lá e participar daquele momento mágico.


Quem diria?
Eu me preparava psicologicamente havia muito, para ver o parto, fotografá-lo, etc, mas meu filho se antecipou uns dias.
Até hoje o pestinha tem pressa para tudo. Se você quiser saber se seu computador ou sua internet são rápidos ou não, ponha nas mãos dele: se ele começar a emitir sonzinhos guturais, ou você se conforma com a baixa qualidade de seus equipamentos e provedor, ou troca tudo. Ele exige velocidades próximas aos 100 megas, e já era assim desde a concepção, pelo visto.
Participei (não como protagonista, mas como coadjuvante) de um dos primeiros banhos; troquei fralda; fiquei muuuuuiiiitooo com ele no colo.
A vida, que às vezes parece uma coletânea de desditas, é capaz de trazer momentos de tamanha alegria, que a gente se sente re-compensado, como que pago pelo ‘pretium doloris’ do restante.
Não sei o que dizer, mas no crisol da emoção a alma acaba por depurar-se um pouco.
Não vi o parto, mas vi o resultado. E ainda vejo.
Dia dos pais, e meu maior presente foi ter achado uma mulher-amiga-amante com quem desejei ardentemente ter o filho que temos.
Bênção de Deus? Obra do Destino? Fatalidade? Coisa da Vida? Não sei. Interessa mesmo, e muito, a alegria em si mesma.
E de parto em parto (maiêutica aqui incluída), vamos nascendo e renascendo, os três juntos, todos os dias, cada um aprendendo com o outro que para bem viver é preciso ver… com olhos de amor. Com olhos de alma. É preciso que a órbita ocular se volte para dentro de nós mesmos e contemple o interior de nossos amados.
“Sic transit gloria mundi.” E aqui glória é glória, mesmo.
Obrigado, mãe! Obrigado, filho!

——————————

Obrigada marido, por ser esse paizão e por estar sempre ao nosso lado.  S2

E um feliz Dia dos Pais, turma que acompanha o AG!!

#abraceseupai

(Já estão participando do sorteio de dia dos pais do AG? Corre lá que ainda dá tempo.)

3 Respostas to “Dia dos pais…”

  1. Fabiana Lopes 10 de agosto de 2013 às 8:01 PM #

    Ahhh que lindo! Fiquei emocionada!

  2. Renato Maluf 11 de agosto de 2013 às 12:56 AM #

    Putz,mãe… V. me pegou de surpresa, hein? De qualquer forma, as palavras são tão pobres para exprimir as sensações, que … sei lá, nem que eu ficasse remontando o texto eu conseguiria escrever o que meu coração disse. S2 2!

  3. Lisa 11 de agosto de 2013 às 2:12 AM #

    Que texto lindo! Sensível e marcante, fiquei com os olhos rasos d’agua!
    Parabéns papai… Parabéns papais! =)

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