Meu relato de parto hospitalar (nascimento do Pietro) – por Ma Morini

7 jan

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Estava prestes a completar 39 semanas de gestação e estava tudo nos conformes. Não havia sentido nenhuma dor até aquele momento e em minha cabeça prevalecia a ideia de que por ser o primeiro parto, provavelmente passaria das 40 semanas e tudo seria extremamente demorado e muito sofrido.

Mas foi as 21h:15min desse mesmo dia, em que achava que estava tudo nos conformes, que senti a primeira coliquinha. E a partir daí foi dada a largada.

A dor aparecia de vez em quando e começou a aumentar. Deu meia noite, uma da manhã, tentei dormir mas não conseguia. Juntou as dores que não paravam de chegar, junto da ansiedade. Decidi pegar papel e caneta para anotar o tempo entre as contrações (hoje sei que anotar contrações, é pura besteira, só confunde mais ainda nossa cabeça, pelo menos a minha), já que não dormia mesmo. Perto de duas da manhã fui fazer xixi e tinha um pouco de sangue. Entrei em choque, a última coisa que esperava ver era sangue. Chamei minha mãe e mostrei. Ela disse ser normal e que poderia sair mais. E foi o que aconteceu. As duas e quarenta da madrugada saiu o tampão e mais sangue e mais dor. Muita dor.

E nesse dia matei minha curiosidade de saber como era essa dor, essa tal dor de parto. É total entrega. Você fica a mercê da dor. Ela te domina. É mesmo um encontro com nosso lado mais obscuro. E o melhor de tudo, é a prova do quão forte é um ser humano, do quanto ele pode suportar.

E segui com as dores, mudava de posição, levantava, plantava bananeira e nada de melhorar. Vi que não adiantava fazer nada, quando a dor vinha era melhor fechar os olhos, agüentar firme e esperar que ela passasse.

Perto de três e pouco da madrugada veio uma dor estonteante, seguida de câimbra na barriga, sensação de Pietro estar empurrando e muita vontade de vomitar. Saí correndo pro banheiro e vomitei tudo o que não havia vomitado na gestação toda. Foi uma dor terrível. E foi nessa hora que decidi que não aguentaria mais (cheguei até a implorar por uma cesárea). Era hora de ir para o hospital.
Mal sabia eu que a dilatação já era de 9 cm e que logo mais meu filho nasceria. Juro que se tivesse uma doula e uma obstetriz ali comigo naquele quarto (e tinha, a minhã mãe, que entende de parto, mais que isso, entende de nascimento, de vida, de amor, mas naquela hora, ela estava mais nervosa do que eu), tudo seria melhor. Seria tudo extremamente melhor. Eu tenho certeza que se assim o fosse, eu saberia se estava em trabalho de parto ou não, saberia o que aconteceria logo em seguida e eu poderia ter tomado o banho que muito implorei, antes de seguir para o hospital, mas me disseram não, porque tinham medo do bebê nascer no chuveiro.
E assim seguimos para o hospital. Lembro que a noite estava fresca e tinha uma lua enorme no céu. Fiz algumas preces e segui caminhando até o quarto. Vesti aquela camisola nada empolgante e logo em seguida o médico chegou para fazer o tal exame de toque e constatou que eu estava quase parindo. Me colocaram em uma maca, levaram para a sala de parto, lembro que a trepidação do chão era confortante, aliviava as dores.
Sorrisinho entre uma contração e outra
E eu poderia encerrar aqui, dizendo que meu filho nascera de parto NORMAL e que tudo foi lindo.
Mas, analisando os fatos hoje em dia (pouco mais de nove meses depois de parir), vejo que meu parto foi sim, muito lindo. Mas o considero como um parto VAGINAL e não normal, muito menos natural (meu sonho para o próximo filho).
Vaginal, porque sofri algumas intervenções, como a analgesia (que na hora em que a recebi, agradeci imensamente ao médico por ter acabado com aquelas terríveis dores, mas a posição em que ficamos para receber a anestesia é ruim demais, a gente precisa ficar sentada, completamente imóvel e parece que o bebe, que já estava meio caminho andado, entra para dentro. Sem contar, que dias depois do parto, uma dor de cabeça medonha me tomou conta. Imaginem, uma mãe tendo que cuidar de um RN, com uma dor horripilante de cabeça, devido a anestesia, não dá), a ocitocina artificial na veia (em meus humildes conhecimentos, entendo que a ocitocina artificial serve para induzir o parto e fazer com que a mãe não perca as “forças” na hora de empurrar, e eu estava com 9 cm de dilatação antes de recebê-la na veia e depois da anestesia, perdi completamente as “forças”, aliás, fazia força, mas não sabia se estava fazendo direito, não sentia p* nenhuma. Então, pra que tomar esse treco nesse caso, minha gente?), rompimento artificial da bolsa, episiotomia e corte do cordão umbilical sem esperar que todo o sangue chegue ao RN.
Sem contar, que é horrível não ver/saber o que os médicos estão fazendo ‘lá embaixo’. Eu toparia um espelho de boa, queria ver tudo, gosto de saber das coisas, ainda mais das minhas coisas. E muito triste, é a hora em que levam o bebê para pesar, medir e sei lá mais o quê. Porque tudo tão longe da mãe? Eu só queria meu filho junto de mim, o tempo todo. É pedir muito?
E nesse momento, costuravam minha episio, e o efeito da anestesia ia se acabando. Que frio foi aquele que me tomou conta? Precisei de cobertores. Detalhe, que era um dia terrivelmente quente.
E me colocaram nos braços da mamãe
Enfim, tudo foi do jeito que tinha de ser e mesmo com todas essas intervenções, tive direito a acompanhantes (minha mãe e uma amiga enfermeira. O pai do Pi estava a caminho do hospital, mas não conseguiu chegar a tempo), não subiram em cima da minha barriga (Kristeller), não me chamaram de ‘mãezinha’ e Pietro veio para meu colo segundos depois de nascido e eu pude ficar por um bom tempo segurando-o, olhando suas mãozinhas, seus minúsculos pés e dedinhos.
Jamais vou esquecer daquele dia, sete de março de 2012, daquela madrugada, eram 04h:45min, daquele pedacinho meu de apenas 50cm, daquele chorinho meigo e de toda aquela fragilidade. Chorei, chorei muito e agradeci alto por ele ter vindo tão perfeito.
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E todo mundo (toda mãe) sabe que não acaba por aí, né? Tem aquele próximo passo, aquele momento intenso, complicado e  de total entrega que é a amamentação.
Onde é que estava meu leite, pelamordedeus? O menino sugava sugava sugava e nada.
Ninguém me contou sobre um monte de coisa, em relação a amamentação. Mas isso é assunto para um próximo post.
Não... mamãe ainda não tinha leite
PS: Hoje, meu Pietro completa 10 meses. S2
Beijos,
Ma Morini
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10 Respostas to “Meu relato de parto hospitalar (nascimento do Pietro) – por Ma Morini”

  1. Fabi 7 de janeiro de 2013 às 9:02 PM #

    Gracinha gracinha você Mari!!! Eu acho interessante como a gente se lemba de todos, todos meeeeeeesmo detalhes, cada coisinha que se for pensar pela dor e tensão do momento era pra não lembrar de nada né! Parabéns por seu relato!!! 🙂

    • Renato Maluf 7 de janeiro de 2013 às 10:21 PM #

      Nossa, mãe, que emocionante…
      E pensar que era pra eu ter visto isso, mas ele foi apressadinho!
      Enfim, sei lá se eu não ia fazer feio, desmaiar do seu lado… não sei. Cheguei lá eram o quê? 6h da matina? Por aí. Foi lindo!! E hoje ele está aqui, grandão, engatinhando, entre nós.

      • Mah Morini 8 de janeiro de 2013 às 6:04 PM #

        Sabe q eu até curti n ter vc lá nesse momento, pai? Eu ia ficar com medo de vc passar mal e n ia me concentrar em parir. Mas hoje em dia, sou muito mais segura, em relação a isso. No próximo, vc assite tudo hehe. Até corta o cordão, se quiser.
        😀

  2. Mah Morini 7 de janeiro de 2013 às 10:34 PM #

    Obrigada, Fabi 😀
    Me lembro de tudo perfeitamente e olha que a dor era braba.
    Beijos.

    • Andréia Pires 8 de janeiro de 2013 às 11:42 AM #

      É de arrepiar o relato. É lindo. Mas quanto mais leio sobre as experiências de maternidade, menos coragem [e vontade] tenho de passar por isso. Uma covardia sem tamanho a minha. 🙂

      • Mah Morini 8 de janeiro de 2013 às 6:01 PM #

        Obrigada, Andréia. 😀
        Realmente, não é mole parir, viu? Mas a gestação dura exatamente 9 meses, para preparar a cabeça (e todo o resto) da mulher, para esse momento. A gente esquece a dor física depois de um tempo (eu falava, logo depois de ter o Pi, que não engravidaria novamente, jamais). Hoje em dia, tenho vontade de ter outro filho e de uma forma mais natural ainda, com zero de anestesia.
        E o clichê de que ‘tudo compensa no fim’, é bem verdade. Não tem preço ver o rostinho de um filho pela primeira vez, ver toda aquela fragilidade e saber q vc é tudo pra ele.

        🙂

  3. Aline Teixeira 10 de janeiro de 2013 às 6:15 PM #

    Lindo relato!
    Nossos bebês nasceram no mesmo dia, Mah Morini! Meu filho chama-se Gustavo e nasceu ás 21:10h do dia 07 de março de 2012, no hospital Santa Casa (RG).
    Assim que tiver tempo, também deixarei meu post em relação ao “grande momento”, que no meu caso foi cesáreana.

    • Ma Morini 11 de janeiro de 2013 às 12:04 AM #

      Que legal, Aline!! Esses nossos piscianos…não sei por aí, mas por aqui o menino é ‘brabo’ que só.
      Envia sim, seu relato. Vou ter muito prazer em ler. E estou curiosíssima.
      Beijos, querida.

  4. pitangadigital 5 de fevereiro de 2013 às 6:47 PM #

    Lindo e lúcido relato!
    Sou da Pitanga Digital, que é um coletivo de comunicação, e nosso foco é sustentabilidade, direitos humanos (os direitos sexuais e reprodutivos inclusos) e cultura. Estamos interessadas em fazer uma matéria com relatos de mulheres sobre seu partos, se sofreram algum tipo de violência obstétrica, o pq de optarem por cesárea, o pq de optarem pelo parto normal e como estes se desenvolveram, enfim, as percepções femininas sobre a assistência recebida. Se te interessar, ou souber de alguém, por favor entre em contato conosco, pode ser por mensagem inbox pelo FB https://www.facebook.com/pages/Pitanga-Digital/110020729165344 ou por email pitangadigital.arteeconteudo@gmail.com.
    Grata
    Alessandra Verch

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  1. Parte 1: Meu tão sonhado Parto Domiciliar (Nascimento da Giulia) – por Ma Morini | andoGESTando - 16 de outubro de 2014

    […] que soube da gravidez já sabia que seria parto domiciliar e não hospitalar, como conto aqui como foi o do Pietro. Sempre falava pro marido que se eu engravidasse, nasceria em casa e ela nasceu 😍 Procuramos um […]

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