A Partir do Parto

5 jan

A Agência Brasil publicou, no final de 2012, uma série especial para mostrar o atendimento às gestantes que dispensam intervenções médicas ou cirúrgicas e buscam alternativas para dar à luz de maneira mais natural, chamada Casas de Parto: Centros de Vida [clique  AQUI e acesse o link] – Eis um trechinho e algumas imagens da tal série especial da ABr:

“Com atendimento a mulheres saudáveis, casa de parto dispensa presença de médico, defende especialista”

Localizada em Realengo, RJ, Casa de Parto David Capistrano Filho é a única do município e já registrou 2 mil nascimentos em oito anos

Localizada em Realengo, RJ, Casa de Parto David Capistrano Filho é a única do município e já registrou 2 mil nascimentos em oito anos

“(…) As casas de parto evitam o uso de soro e de hormônio sintético para acelerar o parto, não fazem rompimento da bolsa desnecessariamente, a manobra de Kristeller – que é espremer a barriga como uma pasta de dente – , todos procedimentos que são uma agressão e causam muita dor às mulheres e a seus parentes

Casa Angela, uma das duas casas de parto de São Paulo, localizada no Jardim Mirante, comunidade da periferia da zona sul da capital

Casa Angela, uma das duas casas de parto de São Paulo, localizada no Jardim Mirante, comunidade da periferia da zona sul da capital

“O hospital recebe todas as intercorrências da gestação. Acaba que, não por descaso, mas por uma mistura de cuidados na mesma unidade, a tendência é olhar com menos atenção para aquela parturiente que não tem risco, em um momento em que a subjetividade do atendimento faz a diferença”, avalia Maysa, citando casos de mulheres que reclamaram de ficar sozinhas na hora de dar à luz.”

Enfermeira faz exames em bebê nascido na Casa de Parto de São Sebastião

Enfermeira faz exames em bebê nascido na Casa de Parto de São Sebastião – única de Brasília, recebe mulheres saudáveis que nunca fizeram cesárea

Muito bom isso, hein?!

Qdo eu [Ju Blasina] fiz meu pré-natal, algo que me incomodou muito foi perceber que o incentivo ao Parto Normal por parte do Ministério da Saúde era uma grande hipocrisia: os médicos [os que eu tive acesso e os que tratavam de amigas grávidas na mesma época], em sua maioria – quando em atendimento particular, tentavam persuadir as gestantes a uma cesária previamente programada, uma vez que isso se pode agendar […supermercado – academia – parto da fulana – almoço…] e, quando no SUS, fazem do Normal um ‘mal necessário’, causando na ‘parturiente’ [eita palavrinha feia]:

um estresse desnessário, num momento que deveria ser tão especial… o mais especial de todos!

Seja Normal, Natural, Cesáreo… Uma coisa é certa: nunca será legal se a mãe for ignorada, persuadida, contrariada, invadida… coisificada!

O importante e que seja humanizado: que se leve em conta os desejos, medos, anseios e limitações da mulher, da pessoa [e as pessoas em torno dela] que é o sujeito dessa grande, imensa ação que é trazer uma vida à luz!

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Nos próximos posts: relatos de partos diferentes de mulheres semelhantes: nós aqui, as gestoras – Ma e Ju!

Querendo e podendo, participe, responda: o parto dos seus sonhos… foi sonho ou pesadelo?

2 Respostas to “A Partir do Parto”

  1. Fabi 5 de janeiro de 2013 às 9:38 PM #

    Rsrs… pesadelo. Ainda falaremos muito disto por aqui!

  2. Ingrid Baumgarten 10 de janeiro de 2013 às 5:21 PM #

    Há uma tendência mundial em humanizar o trabalho de parto (analgesia, participação dos familiares, sala adequada e acolhedora, onde fazer (cama, banheira..), etc) e eu, pessoalmente, adoraria ter meu futuro bebê em um ambiente tranquilo, íntimo, acolhedor, enfim, ter um parto que fosse do meu jeito. POREEEEM, nós vivemos em um país onde muitas mulheres nem fazem pré natal e boa parte das que fazem não tem um atendimento de qualidade. É difícil classificar o risco de uma gestação se a gestante não consegue ser avaliada corretamente. É difícil qualificar parteiras, enfermeiras e técnicos para identificar quando um parto antes com baixo risco começa a complicar. E, criticando minha própria classe também, garanto que não há interesse da grande maioria dos profissionais em humanizar nada. É bem mais “fácil” entrar numa sala onde não há observadores, fazer o que tem que ser feito e ir embora. Ser humanizado é trabalhoso, demanda tempo e energia e uma dose gigante de carinho e compreensão. É.. Infelizmente para isso se tornar realidade em nosso país, nosso sistema de saúde tem que evoluir muito. E os que cuidam da saúde também!

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